quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Início POLÍCIA Promoters da festa clandestina “Baile do Poderoso” negociaram incêndio dos helicópteros do...

Promoters da festa clandestina “Baile do Poderoso” negociaram incêndio dos helicópteros do Ibama

BRASIL – A ordem para queimar dois helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Manaus partiu de um empresário milionário de Goiânia, ligado à exploração ilegal de ouro em garimpos na terra indígena Yanomami, em Roraima. O Estadão obteve a identidade de cada um dos participantes do ato criminoso ocorrido em janeiro e que foram presos em ações da Polícia Federal que estão em andamento desde a semana passada.

O mandante do crime é o empresário milionário Aparecido Naves Junior. Com 35 anos, Naves Júnior tem uma mansão em Goiânia avaliada em R$ 2,1 milhões, além de duas empresas. Ele também era dono de aeronaves que eram utilizadas pelo garimpo ilegal em Roraima e que foram destruídas recentemente por agentes do Ibama.

Conforme apurou o Estadão, Naves Júnior esteve em Manaus dias antes do ato criminoso. Na data do ocorrido, já estava em Roraima. No acordo firmado com os outros cinco homens que participaram do episódio, o empresário garimpeiro havia acertado de fazer o pagamento de R$ 5 mil para cada um dos que colocaram fogo nos helicópteros. Durante o ato, apenas um foi incendiado e outro sofreu avarias.

Promoters do ‘Baile do Poderoso’

A localização dos criminosos foi feita por meio da identificação do carro usado no ato. Thiago Souza da Silva, conhecido “TH” (esquerda da foto em destaque), e Wisney Delmiro, vulgo “Poderoso” (direita da foto em destaque), atuaram no crime como intermediários, negociando com os incendiadores e o motorista que os levou até o aeródromo de Manaus.

O crime contou com a participação do motorista Edney Fernandes de Souza. Os invasores do aeródromo e autores do incêndio são Fernando Warlison Pereira, vulgo “Seco”, e Arlen da Silva, conhecido como “Mudinho”.

Todos tiveram a prisão temporária decretada, em ações realizada entre os dias 26 de janeiro esta quarta-feira, 2. Já o motorista teve a prisão em flagrante no dia 25 de janeiro, um dia após o crime. A reportagem tentou contato com representantes do citados, mas não conseguiu retorno. A prisão do mandante do crime, Aparecido Naves Junior, ocorreu na mansão do empresário. Na operação, a polícia se deparou com diversos carros de luxo, com modelos avaliados em mais de R$ 400 mil.

Prejuízo milionário

A base aérea fica dentro do aeroclube e é vinculada à Secretaria de Segurança Pública. As aeronaves estavam dentro do hangar até 20 de janeiro e foram retiradas do espaço para inspeção, para que fossem utilizadas nas próximas fiscalizações. As duas aeronaves, que são alugadas pelo Ibama, são de propriedade da empresa Helisul.

Considerando a extensão dos danos, o modelo e ano de fabricação das aeronaves, e a cotação do dólar, estima-se o valor dos danos em aproximadamente R$ 10 milhões.

A identificação dos criminosos foi feita a partir da perícia de 681 arquivos de vídeo colhidas de quatro câmeras de segurança. As imagens permitiram confirmar o veículo utilizado na ação, um modelo Kwid, de cor branca.

No local do crime, os policiais encontraram vestígios, como uma tampa plástica de recipiente, um isqueiro metálico e um galão usado para transporte de combustíveis e solventes. Havia uma pequena quantidade de líquido com cheiro de gasolina.

Apesar de o muro do aeroclube possuir arame farpado, uma pequena parte da estrutura estava desprotegida. A perícia da PF encontrou marcas recentes de sujeira no muro, o que sugere que os criminosos escalaram a estrutura para ter acesso ao local onde estavam as aeronaves.