sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Início BRASIL Após caso Jordy, senadores da oposição querem que Moraes não seja relator...

Após caso Jordy, senadores da oposição querem que Moraes não seja relator nas ações do 8 de Janeiro

Brasil – Oito líderes da oposição no Senado divulgaram uma nota pública defendendo a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na relatoria das ações sobre os atos antidemocráticos de 8 de Janeiro. Na nota, os senadores defendem que a atuação do ministro é “questionável” e o acusam de não ter imparcialidade para julgar os casos.

“A postura republicana esperada seria o próprio ministro tomar a iniciativa de se declarar suspeito para julgar os atos de 8 de janeiro, com a grandeza de quem, de fato, busca a pacificação do país e está disposto a virar essa lamentável página da história brasileira, cumprindo a lei e agindo na defesa da Constituição.”

A nota foi assinada pelos senadores Roge´rio Marinho (PL-RN); Ciro Nogueira (PP-PI); Fla´vio Bolsonaro (PL-RJ); Carlos Portinho (PL-RJ); Tereza Cristina (PP-MS); Mecias de Jesus (Republicanos-RR); Izalci Lucas (PSDB-DF); e Eduardo Gira~o (Novo-CE).

O posicionamento do grupo é motivado pela operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 18, cumprindo mandado de busca e apreensão no gabinete e na casa do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ).

Ele é um dos investigados da Operação Lesa Pátria, que mira em suspeitos de planejar, financiar e incitar os atos antidemocráticos ocorridos entre outubro de 2022 e janeiro de 2023. Jordy é líder da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara dos Deputados.

O argumento mais utilizado pelos senadores contra Moraes na nota é o fato de ele ter afirmado que as investigações sobre o 8 de Janeiro desvendaram a existência de planos para prendê-lo e o enforcá-lo na Praça dos Três Poderes. Os oposicionistas dizem que o ministro “é supostamente vítima, investigador e julgador” nos casos.

“As declarações públicas do ministro, nas quais ele se apresenta como vítima de ameaças, levantam sérias dúvidas sobre sua capacidade de manter a imparcialidade necessária em tais processos.”

Até dia 7 deste mês, Moraes proferiu 6.204 decisões relacionadas às investigações sobre os ataques golpistas. Desse total, foram 255 medidas de busca e apreensão em 400 endereços e 350 medidas de quebras de sigilo bancário e telemático. As medidas resultaram em 800 diligências.

Fonte: Estadão