sábado, 24 de janeiro de 2026
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‘Lula está dando tempo para Maduro fraudar atas’, diz comentarista da CNN

Na avaliação do analista internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em adotar uma posição sobre as eleições na Venezuela tem um objetivo concreto: dar tempo ao ditador Nicolás Maduro, seu aliado de longa data, para forjar novas atas de votação que apontem sua falsa vitória.

A declaração foi feita na noite desta terça-feira (30). Na ocasião, Sant’Anna comentava a notícia de que o Brasil está avaliando emitir uma nota conjunta com a Colômbia e o México sobre a Venezuela. Os três países adotaram discursos similares de cautela, limitando-se a pedir “transparência”.

– Eles [Brasil, Colômbia e México] estão dando tempo para o regime do Maduro e para o Conselho Nacional Eleitoral limpar as provas das atas que dão a vitória para Edmundo González e substituí-las por atas forjadas. A oposição, que conhece muito bem como o regime opera, e eu também, que já cobri muitas eleições, esperamos que o regime vai apresentar, sim, atas que provam a “vitória” de Nicolás Maduro – previu Lourival.

Ele também afirmou que os presidentes do Brasil, da Colômbia, Gustavo Petro, e do México, Andrés Manuel López Obrador, querem criar uma ideia de que há uma “briga entre dois grupos”, propagando uma “falsa equivalência”.

– O que o presidente Lula, o Gustavo Petro, da Colômbia, e o Andrés Manuel López Obrador [do México] estão fazendo é também contribuir para a criação de uma ideia de que existe uma briga entre dois grupos. Foi essa palavra que o presidente Lula usou hoje. Ou seja, uma falsa equivalência entre um grupo que está sendo vítima de uma fraude eleitoral e um grupo que está cometendo essa fraude. É como dizer que a Ucrânia e a Rússia estão numa briga, quando a Ucrânia foi invadida pela Rússia – pontuou o especialista.

Sant’Anna ainda ressaltou que, ao dizer que a oposição deve simplesmente recorrer à Justiça, Lula ignora o fato de que a Justiça venezuelana trabalha em favor do regime chavista há oito anos e meio, e corre o risco de tentar igualar o judiciário brasileiro ao venezuelano.