terça-feira, 10 de março de 2026
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Facção usaria concurseira como infiltrada na PF para retaliar forças de segurança

Késsia Raney Rodrigues Pinheiro, de 38 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (22) durante a Operação Covil, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Pará (Ficco-PA). Conhecida pelo codinome “Allana”, ela é apontada como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho Rogério Lemgruber no Pará (CVRL/PA).

Segundo as investigações, Késsia participava de um grupo de estudos para concursos públicos com o objetivo de ingressar na Polícia Federal. A intenção, de acordo com os levantamentos, era usar o cargo na corporação para executar ações de retaliação contra agentes da segurança pública no Pará.

Ela e Danilo da Silva Ramos, o “Marolado” — preso simultaneamente em Manaus — seriam responsáveis por planejar atentados contra policiais e servidores da área de segurança. Késsia também ocupava cargos estratégicos dentro da facção, atuando como administradora, orientadora e tesoureira da célula criminosa em São Sebastião da Boa Vista, no arquipélago do Marajó, região considerada estratégica para o tráfico de drogas e armas.

“Marolado” organizava a logística do envio de entorpecentes de Manaus para o Pará e exercia controle disciplinar em bairros da capital paraense, como Umarizal e Nazaré.

As investigações conduzidas pelo Grupo de Trabalho de Facções Criminosas (GTF) e pelo Núcleo de Inteligência Policial (NIP) revelaram que o grupo planejava expandir o tráfico interestadual e montar uma estrutura paramilitar voltada ao confronto com forças de segurança.

Durante o cumprimento dos mandados em Sobradinho (DF) e Manaus, foram apreendidos materiais que comprovam a preparação de Késsia para concursos da área policial, reforçando a suspeita de que o ingresso na PF seria usado para fins criminosos dentro da própria máquina estatal.

A Operação Covil contou com apoio de unidades do Distrito Federal, do Amazonas e de setores de inteligência das polícias Civil e Federal.