sábado, 24 de janeiro de 2026
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Presa em Israel, Greta Thunberg diz que foi colocada em cela infestada de percevejos

A ativista ambiental Greta Thunberg, detida e retirada da Flotilha Global Sumud, que transportava ajuda humanitária para Gaza, denunciou às autoridades suecas estar sendo submetida a tratamento degradante sob custódia israelense.

As informações constam de uma correspondência diplomática vista pela reportagem do jornal britânico The Guardian. Em e-mail enviado pelo Ministério das Relações Exteriores da Suécia a pessoas próximas à ativista, uma autoridade que a visitou na prisão informou que Greta estava em uma cela infestada de percevejos, sofrendo com desidratação, por conta de ter acesso à pouca comida e água.

“Ela também afirmou ter desenvolvido erupções cutâneas que suspeita terem sido causadas por percevejos. Ela relatou tratamento severo e disse ter ficado sentada por longos períodos em superfícies duras”, diz o documento.

Outra pessoa detida, o ativista turco Ersin Çelik, sequestrado por Israel, fez uma denúncia ainda mais contundente sobre o tratamento dado à ativista. “Eles torturaram a Greta. Ela é apenas uma criança. Fizeram-na rastejar no chão e beijar a bandeira de Israel”, disse.

Sequestro da flotilha

Greta Thunberg é uma das 437 pessoas, entre ativistas, parlamentares e advogados, que compõem a Flotilha Global Sumud , formada por mais de 40 embarcações com ajuda humanitária que buscavam romper o bloqueio marítimo de 16 anos imposto por Israel a Gaza. Entre quinta e sexta-feira, todos os barcos foram interceptados e os tripulantes presos. A maioria está detida em Ketziot, prisão de segurança máxima no deserto do Negev.

A ONG Adalah denunciou que os direitos dos detidos foram “sistematicamente violados”, com negação de água, saneamento, medicamentos e contato imediato com advogados, em “clara violação de direitos fundamentais ao devido processo legal”. A equipe jurídica da flotilha relatou que os prisioneiros ficaram “por horas sem comida ou água”, exceto Greta, que teria recebido apenas “um pacote de batatas fritas exibido às câmeras”.

Durante a operação, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, foi filmado em Ashdod chamando os ativistas de “terroristas”, em frente aos detidos. “Estes são os terroristas da flotilha”, declarou em hebraico. Segundo o Guardian, Israel ainda não respondeu aos pedidos de comentário sobre as denúncias.

‘Tratados como animais’

Ativistas internacionais deportados por Israel após a interceptação militar de sua flotilha com destino a Gaza denunciaram, neste sábado (4), terem sido vítimas de violência e “tratados como animais”, de acordo com informações da AFP.

O político italiano Paolo Romano contou que os ativistas foram abordados por embarcações militares, obrigados a se ajoelhar e agredidos caso se movessem. Ele também relatou insultos e ameaças com armas durante sua detenção. “Fomos tratados como animais”, disse à AFP o vereador da região italiana da Lombardia no aeroporto de Istambul.

“Fomos algemados, não conseguíamos caminhar, alguns foram obrigados a deitar de bruços no chão, depois nos negaram água e para alguns de nós, negaram medicamentos”, disse Iylia Balais, ativista malaia de 28 anos.

Israel confirmou a deportação dos ativistas nas redes sociais, chamando-os de “provocadores”. Em Istambul, familiares os receberam com bandeiras turcas e palestinas, enquanto gritavam: “Israel, assassino”.

O governo turco qualificou a interceptação como um “ato de terrorismo” e abriu uma investigação. O ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, elogiou os ativistas por “darem voz à consciência humana”.