
A Venezuela anunciou que pretende iniciar um “processo exploratório diplomático” com os Estados Unidos para tentar restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países, rompidas desde 2019. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9) pelo chanceler Yván Gil, que afirmou que o diálogo deverá tratar, entre outros pontos, da alegada agressão ao país e do sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, além de temas de interesse mútuo.
O anúncio ocorre quase uma semana após a operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, no último sábado (3), que, segundo o governo de Caracas, resultou na captura de Maduro e de sua esposa. A Venezuela classifica a ação como criminosa, ilegítima e ilegal, alegando violação do direito internacional, da soberania nacional e da imunidade de chefes de Estado.
No comunicado, o governo venezuelano afirma que a ofensiva teria causado mais de uma centena de mortes entre civis e militares e reforça que a retomada do diálogo busca tratar do episódio dentro do marco do direito internacional e dos princípios da diplomacia de paz.
O caso gerou repercussão regional. Durante reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA), o governo brasileiro classificou o sequestro de Maduro como grave. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também manteve contato com outros líderes sul-americanos, incluindo o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, diante da preocupação com o uso da força contra um país da América do Sul.
Em meio à escalada da crise, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução determinando a interrupção do uso da força militar contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso norte-americano.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país pode controlar por anos a receita do petróleo venezuelano, alegando que milhões de barris já teriam sido apreendidos para refino e comercialização.







