quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Com Master como principal acionista, Biomm firma R$ 303 milhões em contratos no governo Lula

A Biomm, empresa de biotecnologia que tem o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, como principal acionista, firmou contratos que somam ao menos R$ 303,65 milhões com o governo Lula (PT) ao longo de 2025. Os acordos envolvem o fornecimento de insulina ao Ministério da Saúde e integram parcerias de desenvolvimento produtivo com vigência estimada de até dez anos.

Os valores constam em comunicados divulgados pela própria companhia ao mercado. Um dos contratos foi anunciado em 30 de junho de 2025 e prevê o fornecimento de insulina humana ao Sistema Único de Saúde (SUS), no valor de R$ 142 milhões. Nesse acordo, a Biomm atua em parceria com a farmacêutica indiana Wockhardt e com a Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Outro contrato foi formalizado em 3 de novembro de 2025, com valor estimado de R$ 131 milhões, para o fornecimento de insulina glargina ao Ministério da Saúde. A parceria envolve a empresa chinesa Gan&Lee Pharmaceuticals e Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além desses dois acordos, o Ministério da Saúde assinou um termo específico com a Biomm para a compra de 2,01 milhões de doses de insulina glargina, ao custo de R$ 30,65 milhões. O contrato tem validade inicial de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por até uma década. A entrega foi dividida em quatro lotes, com prazo máximo previsto até 15 de abril de 2026.

Lula participou de inauguração da fábrica da Biomm

Em abril de 2024, o presidente Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da Biomm, em Nova Lima (MG). O principal acionista da empresa é o Banco Master, por meio do Fundo Cartago, que detém 25,86% do capital. Apesar disso, Daniel Vorcaro não esteve presente na cerimônia.

Na ocasião, Lula dividiu o palco com outros sócios da Biomm, entre eles Walfrido dos Mares Guia, detentor de 5,53% da companhia, e Lucas Kallas, da Cedro Participações, acionista com 8%.

Kallas já foi citado em investigações da Polícia Federal, como as operações Parcours e Rejeito. Empresário do setor de mineração, ele nega irregularidades. Tanto Kallas quanto Vorcaro figuram em inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal. Toffoli é responsável pelos casos relacionados à Operação Compliance Zero, que envolve o Banco Master, e à Operação Rejeito, na qual o nome de Kallas aparece citado.

A relação entre Lula e Lucas Kallas não se restringe à inauguração da fábrica da Biomm. Em fevereiro de 2025, o presidente elogiou o empresário durante a assinatura do contrato de concessão do terminal ITG-02, no Porto de Itaguaí (RJ). O Grupo Cedro venceu o leilão da área por R$ 1 milhão e assumiu o compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões ao longo de três anos.

Na ocasião, Lula afirmou que Kallas era um empresário sério e comprometido com o desenvolvimento do país. O histórico do empresário, no entanto, inclui menções em investigações. Em 2008, ele foi preso durante a Operação João de Barro, que apurou desvios de recursos do PAC no segundo mandato de Lula. Em entrevista à Agência Pública, Kallas afirmou que a maioria das ações foi encerrada com reconhecimento de sua inocência.

Em março de 2025, o empresário voltou a ser citado na Operação Parcours, que investigou supostas irregularidades ambientais na Mina Curumi, em Minas Gerais, atribuídas à Empresa de Mineração Pau Branco. Segundo a Polícia Federal, o prejuízo ambiental estimado poderia chegar a R$ 832 milhões. Kallas afirmou que sua inclusão no inquérito era “completamente descabida”.

Já em setembro de 2025, seu nome apareceu em documentos da Operação Rejeito, que apurou crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro, com lucro estimado em ao menos R$ 1,5 bilhão. A investigação chegou ao Supremo após menção ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e ficou sob relatoria do ministro Dias Toffoli.

Se quiser, faço chamadas, subtítulo ou versão ainda mais dura/objetiva para manchete investigativa.