sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
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Conteúdos falsos criados com IA mais que triplicam em um ano

O número de conteúdos falsos criados com inteligência artificial (IA) mais que triplicou entre 2024 e 2025, segundo o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, estudo inédito do Observatório Lupa. A pesquisa analisou 617 conteúdos verificados pela agência em 2025, comparando-os com os 839 de 2024, e revelou uma mudança estrutural no ecossistema desinformativo.

Aumento expressivo de conteúdos com IA

Os deepfakes e outras peças de desinformação geradas com IA saltaram de 39 casos em 2024, representando 4,6% do total de checagens da Agência Lupa naquele ano, para 159 em 2025. Esse aumento de 120 casos corresponde a 25% das verificações em 2025.

Deepfakes são tecnologias que permitem a alteração de rostos e vozes em vídeos, por exemplo, com o potencial de criar conteúdos com informações falsas.

Mudança no uso estratégico da IA

Em 2024, a IA era majoritariamente utilizada para a criação de golpes digitais, como deepfakes de famosos promovendo sites fraudulentos. Já em 2025, a tecnologia passou a ser empregada de forma estratégica como arma política. Quase 45% dos conteúdos com IA tinham viés ideológico, um aumento em relação aos 33% registrados no ano anterior.

Alvos preferenciais

O estudo identificou que mais de três quartos dos conteúdos com IA que circularam em 2025 exploraram a imagem ou a voz de pessoas conhecidas, principalmente lideranças políticas. Foram registradas 36 ocorrências de conteúdo falso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 33 contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e 30 contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

WhatsApp perde espaço na disseminação, mas outras redes ganham relevância

O uso do WhatsApp para a difusão de desinformação caiu de quase 90% em 2024 para 46% em 2025. A análise do Observatório Lupa sugere que isso não indica uma diminuição das fake news na plataforma, mas sim uma maior dispersão entre diferentes canais.

Além de plataformas já populares como Facebook, Instagram, Threads, WhatsApp e X (antigo Twitter), redes sociais de vídeos curtos como Kwai e TikTok também ganharam relevância na disseminação de conteúdos falsos.

Com informações da assessoria