sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
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Série Ouro do Rio em 2026: escolas tradicionais buscam retorno ao Grupo Especial com enredos marcantes

Disputa acirrada pelo acesso no carnaval carioca

Em 2026, a Série Ouro do Rio de Janeiro, antigo grupo de acesso do carnaval, promete uma competição intensa pela vaga no Grupo Especial. Entre as escolas que desfilarão nos dias 13 e 14 de fevereiro, destacam-se agremiações com histórico de sucesso no principal grupo, incluindo campeãs e tricampeãs.

Império Serrano e Estácio de Sá: tradição em busca do topo

O Império Serrano, tricampeão do carnaval carioca (1960, 1972, 1982), e a Estácio de Sá, campeã em 1992, chegam à Série Ouro com a ambição de retornar à elite do samba.

Unidos de Padre Miguel: a luta por reparação e ascensão

A Unidos de Padre Miguel (UPM), rebaixada do Grupo Especial em 2025, busca sua redenção com o enredo “Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema”. A escola apresentará a trajetória da guerreira indígena potiguara Clara Camarão, símbolo de resistência contra a invasão holandesa no século XVII. A UPM contesta o resultado do julgamento de 2025, alegando falhas no quesito samba-enredo e problemas de som.

A força feminina e ancestralidade indígena no desfile da UPM

O enredo da Unidos de Padre Miguel exalta a espiritualidade dos povos originários, com foco no Toré e na Jurema, celebrando o protagonismo feminino e a força ancestral da cultura indígena. O carnavalesco Lucas Milato ressalta a importância de Clara Camarão como figura de liderança e resistência, combatendo o apagamento histórico das mulheres.

O desfile contará com 22 alas e três alegorias, narrando a ancestralidade indígena, o comando do exército feminino e a apoteose espiritual de Clara Camarão. A escola aposta na força de sua comunidade e em um desfile com alma, crítica e dignidade.

Estácio de Sá: a jornada do “Papa Negro” no terreiro do Estácio

A Estácio de Sá homenageará Tancredo da Silva Pinto, o Tata Tancredo, em seu enredo “Tatá Tancredo: o Papa Negro no terreiro do Estácio”. A escola, considerada a mais antiga do Rio de Janeiro por sua origem ligada à Deixa Falar, primeira agremiação do país, contará a história do escritor, compositor e líder religioso que uniu samba e umbanda.

Tata Tancredo: defensor das tradições afro-brasileiras

O carnavalesco Marcus Paulo destacará a vida e obra de Tancredo, desde sua infância em Cantagalo até sua atuação no Morro de São Carlos. Tancredo foi um importante compositor, escritor e fundador da umbanda omolokô, lutando contra o branqueamento cultural e reafirmando elementos africanos na religiosidade e na cultura brasileira.

O enredo abordará festas criadas por Tata Tancredo, como a Gira de Umbanda no Maracanã e a virada de ano em Copacabana, ressaltando sua influência na preservação das tradições afro-brasileiras. O carnavalesco buscou a transmissão oral para resgatar a memória de Tancredo, que, segundo ele, ainda vive no bairro do Estácio.

Ordem dos desfiles da Série Ouro 2026

Sexta-feira, 13 de fevereiro

Sábado, 14 de fevereiro

Com informações da Agência Brasil