
Com a chegada do Carnaval, a alegria e a agitação tomam conta das ruas, mas é fundamental que a diversão venha acompanhada de cuidados para garantir a saúde. Especialistas alertam para a importância de medidas preventivas que vão desde a hidratação adequada até a atenção com a procedência dos alimentos e bebidas consumidos durante os dias de folia.
Hidratação: a prioridade número um
A nutricionista Anete Mecenas, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Estácio, destaca a desidratação como um dos principais riscos durante o Carnaval, devido à exposição prolongada ao calor e à intensa atividade física. A recomendação é clara: beber, no mínimo, dois litros de água por dia. Além da água pura, o consumo de água de coco e bebidas isotônicas é incentivado para repor os líquidos e eletrólitos perdidos.
“O foco é aumentar a ingestão de água, água de coco, bebidas isotônicas, que vão prevenir mal-estar associado à desidratação”, afirma Mecenas.
Alimentação leve e segura
Manter as refeições regulares é outro ponto crucial. Pular refeições pode levar à queda da glicemia e causar tonturas. A preferência deve ser por alimentos leves e de fácil digestão, como iogurtes, frutas, sanduíches naturais e castanhas. É essencial evitar alimentos com maionese, devido ao risco de contaminação, e ter atenção redobrada com a procedência e a conservação de alimentos vendidos nas ruas, como churrasquinhos e sanduíches armazenados em isopor por longos períodos.
“Tentar ir alternando isso e não ficar muitas horas sem comer, porque isso vai gerar a possibilidade de tontura e hipoglicemia”, explica a nutricionista.
Cuidado com ultraprocessados
Alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, sódio e açúcar, devem ser evitados. Eles podem causar digestão lenta, hiperglicemia seguida de hipoglicemia, além de distúrbios gastrointestinais devido ao excesso de corantes e conservantes. Refeições mais completas e nutritivas, como arroz, feijão e legumes, são mais indicadas.
Álcool: moderação e cautela
O consumo de álcool exige atenção especial. O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa, do hospital Sírio Libanês, ressalta que o álcool irrita a mucosa gástrica, aumenta o risco de gastrite e refluxo, e pode alterar a motilidade intestinal. A recomendação é intercalar a ingestão de bebidas alcoólicas com água para evitar a desidratação e nunca beber em jejum.
Barbosa também alerta para a procedência de bebidas vendidas em blocos de rua, pois a falta de controle sanitário pode levar a intoxicações graves, como as por metanol. “Você não sabe a procedência delas. Então, ter atenção com o que você está tomando, onde você está tomando, é muito importante”, adverte.
Sono e medicamentos
A privação de sono, comum durante o Carnaval, também pode aumentar a permeabilidade intestinal e causar problemas de saúde. O médico emergencista Leandro da Silva Elias recomenda dormir bem para ajudar o corpo a se recuperar.
Além disso, o uso excessivo de anti-inflamatórios e antiácidos deve ser evitado. Os anti-inflamatórios podem causar úlceras e sangramentos digestivos, enquanto os antiácidos podem mascarar sintomas, piorando o quadro.
Prevenção de complicações cardiovasculares
O calor intenso do Carnaval pode sobrecarregar o sistema cardiovascular. O cardiologista Leandro da Silva Elias explica que as altas temperaturas levam ao aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial e desidratação, elevando o risco de arritmias, desmaios e até Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Grupos de risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, devem ter cuidados redobrados. Sintomas como dor de cabeça, tontura e cansaço excessivo são sinais de alerta para insolação ou desidratação, que exigem hidratação imediata.
Quando procurar ajuda médica
Em caso de diarreia persistente por mais de 48 horas, vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal progressiva, é fundamental procurar um pronto-socorro. “Se a diarreia está persistindo por mais de 48 horas, estiver com vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal que está progredindo, pronto-socorro na hora”, orienta o cirurgião Rodrigo Barbosa.
Com informações da Agência Brasil







