segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Início CULTURA Charretinhas do Forró: a folia de resistência cultural na Vila Planalto

Charretinhas do Forró: a folia de resistência cultural na Vila Planalto

Com as bênçãos do bonecão do carnavalesco Joãozinho da Vila, a Praça Zé Ramalho, na Vila Planalto, tornou-se palco de resistência cultural neste domingo de carnaval. O Bloco Charrete, dedicado a ritmos do Norte e Nordeste, atraiu foliões empenhados em manter a alegria em um dos bairros de maior importância histórica do Distrito Federal.

A missão do Charrete é dar continuidade ao legado do bloco Vilões da Vila, fundado por Joãozinho. Após o falecimento do carnavalesco, a Vila Planalto, bairro onde moravam os operários que construíram Brasília, ficou dois anos sem folias. O bloco foi fundado em 2019 pelo produtor Thiago Fanis, unindo os grupos Fanfarra Tropicaos e Charretinha do Forró.

Resgatando o legado e a alegria

“A Vila Planalto é um dos territórios de maior patrimônio histórico do Distrito Federal. Procuramos manter acesa a chama do carnaval nessa região, sempre com as bênçãos de Joãozinho da Vila”, explica Thiago Fanis, ressaltando que pediu autorização aos remanescentes do Vilões da Vila antes de fundar o novo bloco.

Ritmos regionais e diversidade musical

Esqueça o axé e os ritmos tradicionais do samba. No carnaval do Bloco Charrete, a diversidade musical é o destaque. A banda Charretinha do Forró embala os foliões com ritmos nordestinos, enquanto a Fanfarra Tropicaos mescla músicas populares com marchas carnavalescas. DJs e coletivos culturais do DF também se apresentam, com estilos que vão do reggae ao tecnobrega.

Um carnaval com alma de interior

O Charrete atrai um público em busca de uma folia mais tradicional e menos massificada, remetendo ao clima de carnaval de cidade do interior. “A Vila Planalto remete a um povoado do interior, e o carnaval aqui acaba refletindo esse clima de folia de rua de cidade pequena”, conta Monique Menezes, 48 anos, que participa do bloco vestida de leoa.

Álvaro Peres, 36 anos, compareceu pela primeira vez ao bloco e aprovou a iniciativa. “Pelo que vi até agora, gostei do bloco. É uma diversão que valoriza a cultura brasileira, com ritmo mais próximo do Tropicalismo”, declara o bancário.

Resistência e mensagens políticas

A proximidade com a Praça dos Três Poderes faz com que o carnaval na Vila Planalto não se dissociasse da política. Foliões exibiram bandeiras da Palestina e estandartes feministas, condenando o assédio e o feminicídio. Adesivos contra a anistia aos condenados do 8 de janeiro e a favor da punição aos responsáveis pela liquidação do Banco Master também foram distribuídos.

“Por definição, o carnaval é político. É um ato de resistência, só que por meio da alegria. Precisamos sorrir, cantar, dançar”, defende Monique. Álvaro complementa: “O sistema atual é construído para a gente se frustrar. O carnaval é uma brecha para se divertir e voltar à rotina de forma mais descansada”.

Com informações da Agência Brasil