
Milhares de pessoas participaram neste domingo (15) da folia do bloco Divinas Tretas, que se concentrou no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O bloco, que deriva do Toco-Xona, o primeiro bloco LGBTQIA+ da cidade fundado em 2007, busca promover um carnaval diverso e seguro para todos os públicos.
Música e diversidade como pilares
A programação musical do Divinas Tretas abrange uma variedade de ritmos brasileiros, incluindo samba, axé, piseiro e pitadas de rock, integrados a sucessos pop. Karol Gomes, cantora e multi-instrumentista do bloco, destaca que o repertório busca animar o público com canções populares e queridas.
“Tocamos músicas que o público gosta, de divas internacionais e divas brasileiras, em que vestimos a roupinha da gente”, explica Thaissa Zin, produtora executiva do bloco. A DJ Laís Conti complementa, descrevendo sua seleção musical como “um set democrático e quente”, com o objetivo de criar um ambiente acolhedor e receptivo.
Um espaço de liberdade e segurança
A enfermeira Letícia de Almeida Lopes, 26 anos, relata sentir-se completamente à vontade no bloco, independentemente de sua identidade ou orientação sexual. “Este é um bloco em que eu consigo me sentir bem como mulher hétero ou como uma pessoa gay ou uma pessoa fora dos padrões. Um lugar em que eu consigo me sentir completamente à vontade para exercer minha liberdade carnavalesca”, afirma.
A sensação de segurança e ausência de assédio é um ponto recorrente entre os foliões. Thaísa Galvão, 28 anos, vendedora, confirma o clima de tranquilidade: “Me sinto muito bem. Dá para a gente se descontrair com os nossos amigos. Não tem nenhum tipo de briga. Todo mundo se dá bem.” Jennifer de Oliveira, 28 anos, analista de operações, acrescenta: “É o bloco que a gente se sente acolhida. Não tem homem assediando a gente, o que é libertador”.
Lembrança de Marielle Franco
Durante a concentração, o bloco Divinas Tretas também aproveitou a ocasião para lembrar o julgamento dos supostos envolvidos na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Torres, que ocorrerá nos dias 24 e 25 de fevereiro no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram distribuídos leques com a agenda do julgamento e feitas chamadas no palco.
A Corte julgará os processos envolvendo Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal e irmão de Domingos; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos estão presos preventivamente por suposta participação nos assassinatos ocorridos em março de 2018.
Com informações da Agência Brasil







