terça-feira, 17 de março de 2026
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CNI acompanha com cautela decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas de importação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta sexta-feira (20) que acompanha com “atenção e cautela” os desdobramentos relacionados à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas sobre produtos importados impostas globalmente pelo presidente Donald Trump. Um levantamento da entidade indica que a suspensão dessas tarifas sobre produtos brasileiros poderia gerar um impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os Estados Unidos.

Impacto no comércio brasileiro

Segundo Ricardo Alban, presidente da CNI, o impacto de tal medida no comércio brasileiro é significativo, dada a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos. A decisão da Suprema Corte derruba tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa).

No entanto, outras tarifas adotadas com base em diferentes instrumentos legais, como as da seção 232 da Trade Expansion Act (relacionadas à segurança nacional, como aço e alumínio) e as aplicadas a “práticas desleais”, devem continuar em vigor, o que pode resultar em novas medidas dos EUA sobre o comércio brasileiro.

Setores celebram e alertam

Indústria do café

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) manifestou posicionamento favorável à decisão, que reforça a segurança jurídica nas relações comerciais internacionais. Pavel Cardoso, presidente da Abic, ressaltou que medidas unilaterais geram incertezas e que previsibilidade é fundamental para o setor.

Indústria do plástico

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) também acompanha a decisão, que declarou ilegais as tarifas impostas com base na Ieepa. A associação ressalta que o Congresso, e não o presidente, tem a competência constitucional para impor tarifas.

A Abiplast alerta, contudo, que Donald Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana, como substituta para algumas das tarifas derrubadas. Isso indica uma reconfiguração da estratégia comercial dos EUA.

Setor de pescados

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) recebeu com otimismo a decisão, que impactava diretamente o comércio internacional de pescados. A entidade projeta um aumento de até 100% nas exportações brasileiras de pescados para os EUA, com destaque para a cadeia da tilápia.

Indústria têxtil

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) acompanha com cautela a decisão e os desdobramentos políticos. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados, e a Abit defende diálogo e regras claras no comércio internacional.

A Abit alerta que tarifas adicionais aos produtos têxteis e de vestuário podem comprometer a competitividade e a viabilidade das exportações brasileiras.

Com informações da Agência Brasil