sábado, 21 de fevereiro de 2026
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Roubo de obras de arte de Monet, Picasso e Dalí prescreve após 20 anos no Rio de Janeiro

O crime

Na sexta-feira de Carnaval de 2006, em meio à festa em Santa Tereza, Rio de Janeiro, ocorreu um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil. Cinco quadros de artistas renomados como Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse foram subtraídos do Museu da Chácara do Céu.

As obras, avaliadas em mais de US$ 10 milhões na época (cerca de R$ 52 milhões atualmente), e os assaltantes jamais foram encontrados. O crime prescreve oficialmente nesta semana, impedindo a punição dos responsáveis.

Suspeitos e investigações

Três nomes principais surgiram na investigação: Paulo Gessé, Michel Cohen e Patrice Rouge. Gessé foi investigado por suposta participação no transporte das obras, mas a Justiça não encontrou provas concretas.

Michel Cohen, negociador francês de pinturas com histórico de fraudes nos EUA, foi preso no Rio em 2003, mas fugiu. Suspeita-se de seu envolvimento no roubo de 2006. Ele reapareceu publicamente em 2019 em um documentário da BBC.

Patrice Rouge, artesão francês radicado no Brasil, também foi apontado como suspeito. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Rouge negou veementemente qualquer participação no crime, afirmando que estava na França na época e que o episódio o prejudicou.

“A Arte do Descaso”

A jornalista Cristina Tardáguila investigou o caso e publicou o livro “A Arte do Descaso” em 2015. Ela critica o que chama de “desinteresse institucional generalizado” na solução do crime, apontando falhas em museus, governo, polícia e mídia.

O livro detalha erros como a demora da primeira patrulha policial em chegar ao museu e a falta de preservação de provas. A comunicação da Polícia Federal sobre as obras roubadas foi incompleta, omitindo detalhes cruciais.

Um dos episódios mais emblemáticos de descaso foi o desaparecimento do inquérito policial, que só foi encontrado em 2015. O processo criminal foi arquivado provisoriamente por falta de autoria definida.

Reforço na segurança e legado

Desde o roubo, o Museu da Chácara do Céu implementou reforços significativos em sua segurança. O museu agora fecha durante o Carnaval e outros desfiles. O sistema de vigilância foi modernizado, com monitoramento 24 horas e equipes treinadas.

As cinco obras roubadas eram peças-chave do acervo: “Marine” (Monet), “Le Jardin du Luxembourg” (Matisse), “La Danse” (Picasso), “Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons” (Dalí) e o livro de gravuras “Toros” (Picasso).

Especialistas lamentam a perda cultural, ressaltando que as obras eram patrimônio público e insubstituíveis. A diretora do museu, Vivian Horta, afirma que, apesar da prescrição e da ausência das obras, a missão institucional não é prejudicada e a esperança de encontrá-las permanece.

Um filme de ficção baseado no livro “A Arte do Descaso” está em fase de captação de recursos, buscando trazer nova luz ao caso e refletir sobre o descaso com o patrimônio cultural brasileiro.

Com informações da Agência Brasil