quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
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Brasil registra menor área queimada em janeiro dos últimos dois anos, mas alerta para focos em alguns biomas

O Brasil apresentou uma redução significativa na área queimada em janeiro deste ano, registrando 437 mil hectares afetados. Este número representa uma diminuição de 36% em comparação com janeiro de 2025 e uma queda de 58% em relação a janeiro de 2024. Apesar do cenário geral positivo, dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas, indicam um aumento preocupante de focos de incêndio no Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica.

Alerta em biomas específicos

Vera Arruda, coordenadora técnica do MapBiomas Fogo, ressalta que o aumento em alguns biomas é um sinal de alerta. Isso ocorre em um período que, tradicionalmente, registra menor incidência de fogo devido ao período chuvoso na maior parte do país.

Distribuição das queimadas por bioma

Em janeiro, a Amazônia foi o bioma mais afetado, com mais de 337 mil hectares queimados. O Pantanal registrou 38 mil hectares, seguido pelo Cerrado com 26 mil hectares. A Caatinga teve 18 mil hectares, a Mata Atlântica 14 mil hectares e o Pampa apenas 59 hectares.

Comparativo com o ano anterior

Na comparação com janeiro de 2025, a Amazônia viu sua área queimada diminuir em 46%, e o Cerrado em 8%. O Pampa teve uma queda expressiva de 98%. Contudo, o Pantanal registrou um crescimento alarmante de 323% na área queimada, e a Mata Atlântica um aumento de 177%. A Caatinga também apresentou elevação, com 203%.

Composição da vegetação afetada

A vegetação nativa compôs a maior parte da área consumida pelo fogo em janeiro, representando 66,8% do total. Deste percentual, formações campestres corresponderam a 35%, campos alagados a 17,3% e florestas a 7,3%.

Entre as áreas com uso do solo já modificado por atividades humanas, as pastagens foram as mais atingidas, respondendo por 26,3% das queimadas totais do mês.

Amazônia e Roraima em destaque

A Amazônia liderou em extensão de área queimada no primeiro mês do ano, com uma área nove vezes maior que a do Pantanal, o segundo bioma mais afetado.

O estado de Roraima, em particular, teve uma área queimada três vezes superior à de todo o Pantanal, totalizando 156,9 mil hectares consumidos. Felipe Martenexen, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), explica que o calendário climático de Roraima, com seu “verão roraimense” entre dezembro e abril, eleva a vulnerabilidade ao fogo, especialmente em lavrados e outras áreas abertas.

Essa sazonalidade invertida é apontada como a principal causa do predomínio do fogo nos estados amazônicos em janeiro. Maranhão e Pará também se destacaram negativamente, com 109 mil hectares e 67,9 mil hectares de queimadas, respectivamente.

Com informações da Agência Brasil