quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
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Nunes demite presidente da SPTuris e adjunto após denúncias

Brasil – O prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou nesta quarta-feira (25/2), pelas redes sociais, a demissão de Rodolfo Marinho, secretário adjunto de Turismo da cidade de São Paulo e ligado ao vereador Gilberto Nascimento Jr (PL), e do presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Gustavo Pires, que chegou ao cargo devido à grande proximidade com o ex-prefeito Bruno Covas.

Na sexta-feira (20/2), a coluna Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, revelou que Marinho era sócio de Nathália Carolina de Silva Souza quando esta fundou a agência MM Quarter. Assim que ele se tornou secretário de Turismo, nomeado por Nunes, em 2022, a Quarter passou a ser contratada de forma contínua pela SPTuris e pela própria secretaria de Turismo.

Atualmente, a Quarter tem R$ 232 milhões em contratos vigentes com a prefeitura de São Paulo. O prefeito não explicou por que manteve no cargo o atual secretário de Turismo da prefeitura, superior de Marinho, o pastor evangélico e deputado estadual Rui Alves (Republicanos).

No vídeo publicado no Instagram, Nunes conta que determinou que a Controladoria-Geral do Município (CGM) investigasse o caso ainda na sexta-feira, após reportagem desta coluna, e que a CGM descobriu uma procuração de Nathália para Rodolfo, sem dar mais detalhes.

“Vocês devem ter acompanhado, no dia 20 saiu uma matéria trazendo denúncias sobre uma empresa fornecedora da prefeitura de São Paulo. Hoje, a controladoria me trouxe documentos referentes a esta apuração. Dentro desses documentos, uma procuração da Nathália para o secretário adjunto Rodolfo Marinho. Por causa disso, estou demitindo, exonerando, o senhor Rodolfo Marinho”.

No mesmo vídeo, Nunes também anuncia que está nomeando o “Coronel Salles” (Marcelo Vieira Salles), ex-comandante da Polícia Militar e para presidir a SPTuris. Isso significa a demissão de Gustavo Pires, que ocupava o cargo. Pires, porém, não foi citado nominalmente pelo prefeito. Salles foi vereador pelo PSD e subprefeito da Sé.

Esta coluna mostrou que Nathália, que é a dona da Quarter no papel, informava à Junta Comercial, desde que fundou a agência com capital de R$ 1,2 milhão, que morava em um cortiço na zona norte. A coluna esteve lá e descobriu que Nathália vivia em um quarto e sala alugado com outros três familiares, mesmo depois de tirar R$ 14 milhões de lucro da Quarter em 2024.

A Quarter, que é administrada pelos irmãos Victor e Marcelo Correia Moraes, nega que Nathália fosse laranja. Na segunda, informou à Junta Comercial um novo endereço residencial para Nathália, uma sala comercial na zona sul.

A agência só tem mais de R$ 200 milhões em contratos com a SPTuris e com a Secretaria de Turismo porque, sempre que precisa renovar os contratos feitos sem licitação, ambas recorrem a pesquisas de mercado em que cotam preços com a VM Produções, de Victor Moraes, e a Oleiro, de Claudete Santos, que vem a ser a principal coordenadora da empresa.

Nesta quarta (25), a coluna mostrou que a Secretaria de Turismo, sob comando de Rui Alves, que segue no cargo, tem renovado o contrato para que a Quarter gerencie o Centro de Informações Turísticas (CIT) da cidade por R$ 12 milhões ao ano, apesar de a empresa não entregar itens visíveis, como TV de 85 polegadas e mapa tátil, que custam R$ 200 mil ao ano ao município.

Pelo mesmo contrato, a prefeitura de São Paulo bancou um salário de R$ 76 mil para Bárbara Moraes, irmã de Victor e Marcelo, no mês passado. Nunes recebe metade disso.