quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
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Ex-secretário critica PL antifacção por focar em “base” e ignorar “andar de cima” do crime

Dificuldades financeiras e de punição

O Projeto de Lei Antifacção, aprovado pela Câmara dos Deputados, corre o risco de se tornar ineficaz ao dificultar a punição das altas lideranças do crime organizado no Brasil. Segundo Mario Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, as dificuldades serão inclusive financeiras, pois os deputados inviabilizaram, por questões políticas, recursos que seriam obtidos através das bets para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).

Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Sarrubbo explicou que a lei, em sua versão atual, “atingirá apenas a base das organizações criminosas”, deixando de lado aqueles que, em sua visão, “estão no andar de cima”.

Foco restrito e exclusão de recursos

O ex-secretário ressaltou que o foco do texto se restringiu aos crimes violentos, o que, na sua avaliação, acaba por “liberar os políticos ligados ao crime organizado, bem como aqueles que, de fato, financiam o crime”.

A versão apresentada pelo relator na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), rejeitou alterações feitas no Senado, o que, segundo Sarrubbo, prejudicou até mesmo a destinação de recursos aos estados para o combate às facções. A exclusão da taxação das bets para a criação do FNSP retirou do texto a possibilidade de arrecadar cerca de R$ 30 bilhões.

Asfixia financeira como estratégia

Sarrubbo relembrou que a proposta inicial visava criar “mecanismos para atingir os que atuam na Faria Lima e em Fintechs; quem financia essas organizações criminosas”. Ele citou a Operação Carbono Oculto como exemplo de investigação que identificou esquemas criminosos envolvendo movimentação de recursos de facções como o PCC, evidenciando a atuação de agentes financeiros.

A estratégia defendida pelo governo, segundo o ex-secretário, é a de “asfixiar financeiramente as facções criminosas”. Ele argumenta que a atuação das forças de segurança se torna mais eficaz e com menor letalidade quando o fluxo financeiro das organizações é estancado, desorganizando-as e impedindo o pagamento de seus membros.

Com informações da Agência Brasil