
Manaus foi palco do segundo ato nacional em celebração aos 50 anos da Fundação Nacional de Artes (Funarte), no último sábado (28/02). A programação, realizada no Centro Cultural Palácio da Justiça e no Teatro Amazonas, reuniu artistas, gestores e coletivos teatrais de diversas regiões do país para debater memória, continuidade e o futuro das políticas públicas para as artes no Brasil.
Memória e continuidade em debate
A ação, apoiada pelo Governo do Amazonas por meio da Secretaria de Cultura, integrou as comemorações do cinquentenário da Funarte, vinculada ao Ministério da Cultura. O evento reafirmou o papel da fundação como articuladora de redes, fomentadora de iniciativas e guardiã das múltiplas expressões artísticas brasileiras.
“Seguiremos neste marco celebrativo de 50 anos ao lado de artistas, gestores e instituições, afirmando as artes como um ativo de direitos, liberdades e emancipação. A Funarte retomada é parte da construção do Brasil das Artes, com a missão de ampliar o acesso e fortalecer a participação social”, destacou a presidenta da Funarte, Maria Marighella.
A programação da tarde teve como eixo central a preservação da memória dos grupos teatrais brasileiros, apontada como prioridade no Encontro Nacional de Políticas para o Teatro realizado em 2025. O gestor cultural Márcio Braz anunciou o mapeamento nacional de grupos de teatro de ação continuada, que será feito pela plataforma Rede das Artes.
“Vamos iniciar uma convocatória nacional para que coletivos compartilhem seus dados. Sabemos que somos muitos, movimentamos a economia, empregamos pessoas e estamos em todo o Brasil, mas isso precisa se tornar visível. A política pública precisa desses números para se sustentar”, explicou o gestor.
Grupos históricos e lançamentos
A roda de conversa “Grupos, Memória e Acervos do Teatro Brasileiro” reuniu representantes de coletivos históricos como Grupo Galpão (MG), Bando de Teatro Olodum (BA), Cia Vitória Régia (AM), Grupo Imbuaça (SE), Tá na Rua (RJ), Teatro Experimental de Alta Floresta (MT) e Ói Nóis Aqui Traveiz (RS).
A atriz Rosa Malagueta ressaltou a importância simbólica do evento na região Norte. “Fazer parte dessa história com tantos artistas reunidos é muito bacana. Saber que a Funarte veio celebrar esses 50 anos na Amazônia, em Manaus, é muito prazeroso. Que venham mais 50 anos e que a gente continue fazendo cultura no Amazonas e no Brasil”, afirmou.
Encerrando a programação no Palácio da Justiça, foi lançado o livro “Por um Museu de Memórias da Cena”, resultado da pesquisa da “Ói Nóis Aqui Traveiz” sobre acervos de grupos longevos do teatro brasileiro. O autor Clóvis Dias Massa destacou o caráter provocativo da obra sobre a preservação da experiência teatral.
Na ocasião, também foi lançada a edição nº 22 da revista Cavalo Louco, ampliando o debate sobre documentação e permanência das artes da cena.
Espetáculo e projeção para o futuro
À noite, a celebração seguiu no Teatro Amazonas com a apresentação do premiado espetáculo Sebastião, do Ateliê 23. A montagem mergulha nas memórias do Bar Patrícia, primeiro reduto gay de Manaus nos anos 1970, combinando relatos pessoais, números musicais e vivências LGBTQIAPN+, reafirmando o teatro como espaço de resistência e testemunho histórico.
Instituída em 1975, a Funarte chega ao seu cinquentenário reafirmando a necessidade de políticas públicas estruturantes para as artes, entendidas como direito coletivo. A celebração em Manaus projetou caminhos para a continuidade do teatro de grupo e para a consolidação de uma política cultural mais ampla, descentralizada e participativa no país.
Com informações da Agência Amazonas




