quarta-feira, 4 de março de 2026
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Minas Gerais lidera ranking nacional de áreas urbanas em encostas íngremes

Minas Gerais se destaca no cenário nacional por possuir a maior área urbana em encostas íngremes do país. Juiz de Fora, município da Zona da Mata mineira que sofreu com fortes chuvas, é a terceira cidade brasileira com maior extensão de área urbanizada em declive, totalizando 1.256 hectares construídos em locais com inclinação que representa risco maior de deslizamento.

Ocupação acelerada de áreas de risco

Um estudo recente revelou que a ocupação de áreas de risco em encostas no Brasil cresceu em um ritmo mais acelerado do que a urbanização geral nos últimos 40 anos. Enquanto as áreas urbanas do país aumentaram 2,5 vezes, as construções em terrenos inclinados mais que triplicaram.

Entre 1985 e 2024, a área urbanizada nacional saltou de 1,8 milhão de hectares para 4,5 milhões. Paralelamente, as áreas construídas em regiões com declividade acentuada e maior suscetibilidade a erosão e deslizamentos expandiram de 14 mil para 43,4 mil hectares no mesmo período.

Mudanças climáticas e vulnerabilidade urbana

A coordenadora do estudo, Mayumi Hirye, ressalta que as mudanças climáticas e a intensificação de eventos extremos impactam as cidades, especialmente as áreas mais sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem sido mais rápida.

As capitais Rio de Janeiro (1,7 mil hectares) e São Paulo (1,5 mil hectares) lideram o ranking de áreas urbanas em encostas íngremes. Juiz de Fora aparece em terceiro lugar, com 1.256 hectares de área construída em áreas de risco.

Proximidade com rios aumenta risco de enxurradas

Além das encostas, a proximidade de áreas urbanas com rios e córregos, responsáveis pela drenagem natural das cidades, também eleva o risco de inundações e enxurradas. Em 2024, cerca de 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil apresentavam esse risco.

O Rio de Janeiro lidera em território urbano exposto pela proximidade com áreas de drenagem natural, com 108,2 mil hectares. Em Rondônia, a construção próxima a essas áreas mais que duplicou em 40 anos, passando de 7,3 mil para 18,8 mil hectares.

O engenheiro ambiental do Mapbiomas, Edmilson Rodrigues, aponta que, embora historicamente as cidades se formem perto de corpos d’água, as mudanças climáticas intensificam os perigos. Ele enfatiza a importância de monitorar a expansão urbana em margens fluviais para conservar o ambiente e garantir a qualidade de vida.

Com informações da Agência Brasil