quinta-feira, 19 de março de 2026
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Fachin e Gilmar elogiam Moraes em meio a pressão do caso Master e crise de imagem do STF

Brasil – Prestes a completar nove anos como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes recebeu nesta quinta-feira, 19, afagos, elogios e manifestações de apoio dos colegas da Corte. O ministro, que enfrenta a maior crise de imagem desde que chegou ao STF após a revelação de trocas de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, foi descrito por Edson Fachin como “compromissado com a República” e por Gilmar Mendes como alguém de “espírito público e fortaleza moral”.

“Vossa Excelência, que, com ânimo inquebrantável, já suportou, nestes nove anos, tantas tribulações em virtude da sua irretocável, proba e sacrificante atuação, terá forças para suportar tantas outras quantas surgirem”, disse Gilmar, que se emocionou ao falar sobre o colega. “O Brasil tem uma dívida para com Vossa Excelência, ministro Alexandre. As futuras gerações saberão reconhecê-lo”, afirmou.

Sem menções diretas ao escândalo financeiro do Banco Master, Gilmar Mendes disse que “o espírito público e a fortaleza moral” de Moraes foram “provadas nas circunstâncias mais adversas que um magistrado pode enfrentar”.

“Permitiram-lhe manter o curso em águas tempestuosas, de modo a não deixar nossa nau à deriva. Vossa Excelência evitou que caíssemos em um abismo autoritário, onde provavelmente ainda estaríamos vivendo tempos sombrios”, afirmou o decano.

O banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes trocaram mensagens pelo WhatsApp no dia 17 de novembro de 2025, data em que o dono do Banco Master foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal. O ministro negou ser destinatário de mensagens sobre salvar o Master, mas não explicou conversas.

Também agravou a imagem de Moraes a revelação de um contrato advocatício de quase R$ 130 milhões firmado por sua mulher, Viviane Barci, com o Master. A advogada afirmou que a consultoria prestada ao banco concentrou-se na implementação de mecanismos de compliance e na revisão do código de ética e conduta da instituição.

Apoiador do inquérito das fake news, que se arrasta por sete anos sem desfecho sob a relatoria de Moraes, o ministro Gilmar Mendes afirmou que a investigação “tem sido o grande instrumento”. “Manejado de modo firme, corajoso e irretocável para a proteção das nossas instituições contra uma operação sistemática de desinformação e intimidação”, disse.

“Orquestrada com o propósito inicial de desacreditar a Justiça, vergar o STF à vontade de um grupo político e minar as resistências institucionais ao projeto de poder então em marcha. O tempo mostrou que esse plano viria a ganhar contornos ainda mais explícitos e sórdidos, de efetiva tomada do poder pela força das armas”, afirmou Gilmar.

“Mas o capítulo mais significativo, aquele que certamente será estudado pelos historiadores, juristas e cientistas políticos por décadas, é o julgamento da ação penal que apurou a tentativa de golpe de Estado, que entre outras abominações, planejara assassinar o próprio ministro Alexandre. Como relator, ele conduziu, garantindo a todos o devido processo, a ampla defesa, o contraditório, o processo que culminou na condenação do ex-presidente da República e de militares do mais alto escalão a penas de até 27 anos de prisão”, concluiu o decano.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, enalteceu a atuação do colega. “São nove anos de exercício no mais alto tribunal do País, contribuindo para o fortalecimento de uma Corte eminentemente constitucional, em tempos de tamanha complexidade institucional, política e social”, disse.

“O Brasil viveu também, nos últimos anos, uma prova diferente do mesmo compromisso. Houve uma tentativa de romper com a ordem democrática. Houve pessoas que invadiram e destruíram as sedes dos Três Poderes da República. Houve um plano, documentado, para impedir a posse de um presidente eleito pelo povo brasileiro”, lembrou Fachin.

“A pergunta que esse momento colocou ao Tribunal não foi apenas jurídica. Foi uma pergunta sobre caráter institucional: haveria a condução, com rigor, de inquéritos e ações penais de excepcional complexidade, contra réus poderosos e sob pressão intensa, até que o colegiado pudesse se pronunciar?”, disse.

Para Fachin, “Moraes respondeu a essa pergunta com sua atuação demonstrando a virtude intimorata dos magistrados desta Corte. A sua contribuição não foi a de substituir o Tribunal, foi a de garantir que o Tribunal pudesse decidir”.

“Essa é a marca de um magistrado que compreende onde reside a força de uma Corte: não em seus integrantes individualmente, mas na confiança que a sociedade deposita no método pelo qual ela decide. Nove anos dedicados a esse método, a essa Casa e a essa República que é de todos”, concluiu Fachin.