quarta-feira, 25 de março de 2026
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Tambaqui e dourada podem sumir da mesa do amazonense, alerta ONU

Manaus – A Organização das Nações Unidas (ONU) acendeu um alerta para a crise dos peixes migratórios na Amazônia, classificando o tambaqui e a dourada entre as espécies que enfrentam um colapso acelerado em nível global. De acordo com o relatório “Estado das Espécies Migratórias do Mundo”, produzido no âmbito da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), a população desses animais caiu 81% desde 1970, com consequências diretas para a segurança alimentar, a economia e a cultura da região amazônica.

O relatório aponta a bacia amazônica como uma das áreas mais críticas do planeta para a conservação dessas espécies. Na Amazônia, os peixes migratórios representam mais de 90% do pescado consumido, e dois dos símbolos mais importantes da mesa regional, o tambaqui e a dourada, estão em situação preocupante.

Além delas, o documento aponta que 21 espécies migratórias transfronteiriças da bacia amazônica estão em declínio. Segundo a ONU, elas sofrem pressão de barragens, pesca excessiva e degradação ambiental.

O principal problema apontado pelo relatório é a perda de conectividade dos rios. Peixes migratórios dependem de longos deslocamentos para completar seu ciclo de vida, como subir rios para se reproduzir e retornar às áreas de alimentação. Barragens e alterações no fluxo dos rios interrompem esse processo, inviabilizando a reprodução e a sobrevivência das espécies.

Entre os fatores mais críticos para o declínio global, o relatório destaca a construção de hidrelétricas, mudanças no regime de cheias e destruição de áreas de várzea.

A crise dos peixes migratórios, segundo o documento, não é apenas ambiental. Na Amazônia, ela ameaça diretamente a principal fonte de proteína de populações ribeirinhas, cadeias econômicas locais que movimentam milhões de reais e modos de vida tradicionais.

A ONU alerta que bilhões de pessoas no mundo dependem desses peixes, e a Amazônia é um dos epicentros dessa dependência. O relatório ressalta ainda que 97% das espécies de peixes listadas na convenção já estão ameaçadas de extinção, mas poucas contam com proteção internacional efetiva.