
Brasil – O produtor e diretor musical Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira (5), aos 78 anos, no Rio de Janeiro (RJ). Vítima de uma parada cardiorrespiratória, o artista estava internado há mais de um mês no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste da cidade, após complicações decorrentes de uma queda.
Referência histórica na teledramaturgia brasileira e na indústria fonográfica, o veterano deixa a esposa, a atriz Sylvia Massari, além de duas filhas e dois enteados.
Mais de 500 discos e gigantes da MPB
Nascido em 29 de abril de 1948, Augusto César Graça Mello construiu um dos currículos mais impressionantes da história artística do Brasil. O profissional esteve diretamente nos bastidores de grandes marcos da indústria fonográfica e liderou tendências de mercado por décadas.
Ao longo de mais de cinco décadas de atuação, Guto Graça Mello assinou a produção de mais de 500 discos. Sua versatilidade técnica permitiu colaborações fundamentais com ícones imortais do país, gerenciando álbuns de nomes de peso como Maria Bethânia, Roberto Carlos, Rita Lee, Milton Nascimento e Gilberto Gil.
Entre os feitos mais populares e rentáveis de sua trajetória, destaca-se a produção do primeiro álbum da apresentadora infantil Xuxa Meneghel. Lançado em 1986, o “Xou da Xuxa” quebrou recordes no mercado fonográfico e ultrapassou a marca de milhões de cópias comercializadas, inaugurando uma nova era do consumo infanto-juvenil. Além disso, em sua passagem pela Som Livre, ajudou a revelar e impulsionar roqueiros que dominariam as rádios, como Cazuza e Lulu Santos.
Guto Graça Mello: a revolução das trilhas de novelas
Apesar do sólido sucesso nos estúdios, foi no ambiente da teledramaturgia que Guto Graça Mello consolidou seu talento para o grande público nacional. Filho dos atores Stella e Octávio Graça Mello, ele inicialmente cursou a faculdade de arquitetura, mas logo abandonou a vida acadêmica para seguir sua verdadeira vocação pelo âmbito das artes.
Sua entrada definitiva na emissora da família Marinho ocorreu em 1972, quando assumiu a produção musical do programa “Viva Marília”, protagonizado pela atriz Marília Pêra.
Poucos anos depois, Guto transformou por completo a forma como as novelas utilizavam suas canções. Sob sua diretoria, as trilhas sonoras deixaram de ser componentes secundários e passaram a disputar a liderança de vendas nas lojas físicas de discos de todo o país.
O executivo musical selecionou obras de tramas que pararam o Brasil, como “Gabriela”, “Saramandaia”, “Pai Herói” e “Estúpido Cupido”. Um dos momentos mais marcantes de sua agilidade profissional ocorreu nos bastidores de “Pecado Capital” (1975).
Em um prazo de emergência de apenas três dias, Mello estruturou todo o repertório do folhetim, e ainda encomendou de última hora o antológico tema de abertura diretamente ao compositor Paulinho da Viola.
Ele também carregava no currículo o título de compositor principal de aberturas conhecidas do público brasileiro. Entre as principais produções de sua autoria, encontra-se a clássica trilha eletrônica e orquestral do programa dominical Fantástico.
Batalha hospitalar e despedida
A internação recente mobilizou os bastidores da TV e amigos do artista. Durante o período crítico de saúde decorrente da queda no último mês, Sylvia Massari, com quem o produtor era casado, utilizou seus perfis sociais para transmitir fé e registrar seu carinho.
Nas semanas que antecederam a parada cardiorrespiratória, a atriz compartilhou declarações apaixonadas ao marido na internet. Em uma das postagens que comoveram os fãs, Sylvia publicou imagens recentes em formato de homenagem e enfatizou na legenda: “Na alegria e na tristeza… te amo!”. O legado do veterano segue preservado nos milhares de discos que projetou e nas memórias afetivas da televisão brasileira.




