sexta-feira, 8 de maio de 2026
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Suspensão de produtos da Ypê provoca acusações de motivação política entre aliados de Bolsonaro

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos da marca Ypê provocou forte repercussão nas redes sociais e gerou acusações de motivação política entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As críticas surgiram após a divulgação de que integrantes da família Beira, dona da empresa Química Amparo, responsável pela marca Ypê, doaram R$ 1 milhão para a campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O valor foi dividido entre Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da empresa, que doou R$ 500 mil, além de Waldir Beira Júnior e Ana Maria Beira, que contribuíram com R$ 250 mil cada.

Nas redes sociais, consumidores questionaram a medida da Anvisa e levantaram suspeitas de perseguição política contra a empresa. Parte dos comentários relaciona a decisão ao posicionamento político da família controladora da marca.

A Ypê já havia se envolvido em controvérsia política durante as eleições de 2022. Na ocasião, a Química Amparo foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) por assédio eleitoral após a realização de uma live considerada favorável ao então presidente Jair Bolsonaro. A Justiça proibiu a empresa de realizar propaganda eleitoral direcionada a funcionários e fixou multa em caso de reincidência.

A suspensão anunciada pela Anvisa nesta quinta-feira (7) ocorreu após a agência apontar falhas em etapas críticas do processo produtivo da empresa. Entre os problemas identificados estão irregularidades nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

Segundo a agência, as falhas podem comprometer as Boas Práticas de Fabricação e representar risco sanitário, incluindo possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos.

A inspeção foi motivada por um histórico de contaminação microbiológica registrado em novembro de 2025, quando análises detectaram a bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da empresa.

A Ypê informou que realizou recolhimento voluntário dos itens afetados e afirmou possuir laudos técnicos independentes que atestam a segurança dos produtos. A empresa também declarou que o risco à maioria dos consumidores é considerado baixo.