
A IstoÉ Publicações, responsável por veículos como IstoÉ Dinheiro, Gente, Motorsport, Planeta, Menu e Dinheiro Rural, passou por uma crise interna e promoveu ao menos 50 demissões desde maio, além de desligar toda a equipe de jornalistas contratados formalmente. A informação foi divulgada pelo boletim Jornalistas & Cia em 1º de julho de 2026.
Segundo relatos de profissionais, os funcionários estavam há meses sem receber salários e chegaram a entrar em greve no fim de maio. O problema também teria atingido serviços essenciais, como fornecedores de tecnologia, incluindo sistemas de e-mail e plataformas de publicação.
A crise é atribuída a efeitos financeiros ligados ao escândalo envolvendo o Banco Master. Em reportagem, o Intercept Brasil revelou que o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” e dono do Grupo Entre — controlador da IstoÉ desde 2022 — teria atuado como intermediador de repasses do banco ligados ao filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Freixo também já havia sido alvo de investigação na segunda fase da operação Compliance Zero. Em março, a empresa de pagamentos Entrepay, ligada ao Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central, que determinou ainda o bloqueio de bens de dirigentes e ex-dirigentes.
Com a restrição financeira, o pagamento de jornalistas teria sido interrompido, agravando a situação interna. Segundo o Jornalistas & Cia, um credor passou a bancar parcialmente a operação da redação, que hoje funciona de forma reduzida, com poucos colaboradores e forte uso de material de agências. A direção do grupo, segundo o boletim, trabalha com a possibilidade de manter as marcas ativas visando futura negociação.
Em meio ao cenário, um diálogo obtido pela Polícia Federal e divulgado pelo site Fatos Online indica uma conversa entre o publicitário Thiago Miranda e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que é sugerida uma possível relação do banqueiro com a IstoÉ.
Na troca de mensagens, Miranda também sugere a contratação da jornalista Malu Gaspar, do O Globo, para o veículo.
“— Tinha que levá-la para a IstoÉ. Ela salvaria a audiência, mas ela sabe que é sua”, escreveu o publicitário.
Vorcaro respondeu: “— Lá ficamos expostos chamar.”




