
As dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que apresentaram as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025 estão todas localizadas no Nordeste. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Apesar da redução de 8,2% nos registros de mortes violentas em comparação ao ano anterior, a violência continua concentrada na região. A taxa nacional ficou em 19,1 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o Nordeste registrou média de 31,6, a maior entre todas as regiões do país.
O ranking é liderado por Maranguape (CE), que alcançou uma taxa de 100,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, índice mais de cinco vezes superior à média nacional. A cidade é seguida por municípios da Bahia, Ceará, Pernambuco e Paraíba.
Entre as dez cidades mais violentas do país estão: Maranguape (CE), Eunápolis (BA), Maracanaú (CE), Porto Seguro (BA), Simões Filho (BA), Jequié (BA), Caucaia (CE), Cabo de Santo Agostinho (PE), Santa Rita (PB) e Juazeiro (BA).
A Bahia concentra o maior número de municípios no ranking, com cinco representantes. O Ceará aparece com três cidades, enquanto Pernambuco e Paraíba têm uma cada.
Segundo o Anuário, um dos principais fatores que explicam os altos índices de violência é a disputa entre facções criminosas pelo controle de áreas estratégicas para o tráfico de drogas. A presença de rodovias federais, portos e aeroportos facilita a circulação de entorpecentes e aumenta os conflitos entre grupos rivais.
Em Maranguape, por exemplo, a proximidade com as rodovias CE-065 e BR-222 é apontada como um dos fatores que favorecem a atuação de organizações criminosas. Já Eunápolis e Porto Seguro, na Bahia, são consideradas áreas estratégicas por causa das rodovias BR-101 e BR-367.
Outros municípios também aparecem associados à infraestrutura logística. Simões Filho e Cabo de Santo Agostinho têm influência dos complexos portuários de Aratu e Suape, respectivamente, enquanto Jequié e Juazeiro são citadas pela localização próxima a importantes corredores rodoviários.
O levantamento também destaca os impactos dos conflitos entre facções no Ceará, onde disputas territoriais têm provocado expulsões de moradores de suas próprias casas por determinação de grupos criminosos.
Além dos homicídios, o estudo aponta altos índices de mortes decorrentes de intervenções policiais em algumas das cidades listadas. Porto Seguro (BA) apresentou a maior taxa nesse indicador em 2025, com 32,3 mortes por 100 mil habitantes, seguida por outros municípios baianos como Eunápolis, Simões Filho e Jequié.






