segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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Aprovação de Tarcísio despenca entre mulheres em SP, aponta pesquisa

Brasil – A aprovação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre as mulheres paulistas caiu dez pontos percentuais em 11 meses, passando de 57% para 47%, segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana.

No mesmo período, a aprovação entre os homens ficou praticamente estável. Especialistas relacionam a queda ao aumento da violência de gênero no estado e à ausência de políticas públicas de resposta, enquanto analistas alertam que o eleitorado feminino pode ser decisivo nas eleições deste ano.

A queda de dez pontos percentuais em 11 meses representa o pior índice da gestão entre o público feminino desde abril de 2024. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O contraste com o eleitorado masculino é marcante. Entre os homens, a aprovação saiu de 63% para 62% no mesmo intervalo, variação dentro da margem de erro e que configura estabilidade.

A aprovação geral do governo em São Paulo também recuou, de 60% para 55% em 11 meses, mas a deterioração é visivelmente mais acentuada entre as mulheres.

“Tarcísio Inimigo das Mulheres!”

No dia 18 de junho, o auditório da Apeoesp recebeu o lançamento oficial da campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres!”. A mobilização, construída por diversos movimentos feministas e de mulheres, visa expor e dialogar com a população sobre como a rotina no estado tem ficado cada vez mais pesada e desprotegida para a população feminina.

A campanha é baseada em um diagnóstico contundente e dados oficiais que comprovam que, na vida real, a política do atual governado do estado ataca diretamente as mulheres enquanto favorece os empresários e mais ricos.

São Paulo vive hoje o seu período mais violento para as mulheres em dez anos. Os números são alarmantes. Só no ano de 2024, 246 mulheres foram assassinadas, vítimas de feminicídio; em 2025, 270 casos registrados, representando aumento de 9,7% em relação ao ano anterior; dados parciais de 2026 apontam 142 casos entre janeiro e junho.

As estatísticas oficiais são compiladas e divulgadas periodicamente pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), por meio do portal de dados e balanços de criminalidade do governo estadual.

De acordo com o movimento, em vez de fortalecer a rede de proteção, a gestão de Tarcísio cortou pela metade (54,4%) os recursos do orçamento estadual de 2025 destinados à Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Na prática, esse desmonte resulta em um investimento de apenas 18 centavos por mulher paulista para o ano inteiro. Além disso, delegacias especializadas (DDMs) seguem sem funcionar adequadamente 24 horas nas periferias do estado.

A campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres!” apresentou, ainda, uma lista de ataques aos direitos femininos, que abrange diversas áreas essenciais.

Trabalho e renda: O governo estadual defende os interesses de patrões e de bancadas aliadas ao apoiar a manutenção da escala 6×1. Essa jornada adoece as trabalhadoras, que já acumulam a dupla jornada do trabalho doméstico e do cuidado. Além disso, as mulheres paulistas continuam ganhando, em média, 21,6% a menos do que os homens.

Privatizações e custo de vida: A entrega da Sabesp à iniciativa privada já reflete em um reajuste tarifário de 6,11% na água em 2026, associado a constantes faltas de abastecimento nas periferias.

No transporte público, a privatização de trens e metrô transformou falhas e descarrilamentos em rotina, roubando tempo e qualidade de vida das trabalhadoras.

Desmonte da educação: A gestão de Tarcísio aprovou na Alesp a redução da verba destinada à educação de 30% para 25%. O fechamento de turmas do Ensino Noturno e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) pune diretamente mães e trabalhadoras que tentam concluir sua formação.

Além da política das escolas cívico-militares que fomentam espaços de violência e propagação de misoginia e que ignora o necessário combate ao assédio no ambiente escolar.

Negligência nos cuidados: A gestão estadual trata a saúde e a assistência como mercadoria, sobrecarregando as mulheres e negando adesão a políticas públicas federais cruciais, como a Política Nacional de Cuidados.