quinta-feira, 20 de agosto de 2026
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Filho de Lula, investigado por tráfico de influência, foi 18 vezes ao Planalto desde 2023

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, esteve ao menos 18 vezes no Palácio do Planalto desde 2023, segundo registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). As visitas ocorreram entre junho de 2023 e janeiro de 2025, de acordo com dados fornecidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.

Os registros indicam que Lulinha esteve no local em 15 dias diferentes. As permanências variaram de 19 minutos a mais de quatro horas, totalizando 23 horas e 26 minutos. O GSI informou que os dados não especificam os locais acessados nem os motivos das visitas.

A frequência dos acessos passou a ganhar atenção em meio a investigações da Polícia Federal que apuram possíveis práticas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o empresário.

Mensagens obtidas pela PF e divulgadas no âmbito das investigações apontam que Lulinha mantinha contato com pessoas próximas ao núcleo do governo e conversava com a lobista Roberta Luchsinger, que teria sido contratada por empresários interessados em obter influência e acesso a contratos.

Em uma conversa de março de 2024, Lulinha mencionou reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e então chefe de gabinete do presidente Lula, além de Swedenberger Barbosa, o Berger, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Segundo as investigações, Roberta Luchsinger teria recebido R$ 1,5 milhão em repasses do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Em uma das transferências, uma mensagem mencionaria que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, expressão que, segundo a PF, poderia se referir a Lulinha.

As investigações também apontam que Roberta teria pago despesas e presenteado Marcola. Mensagens analisadas pelos investigadores mostram conversas sobre a compra de joias, incluindo um par de brincos e um colar de diamantes.

Defesa

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que as visitas ao Palácio do Planalto tinham caráter pessoal. Segundo ele, o empresário esteve no local para encontrar amigos e o pai, e não teria tratado de assuntos relacionados ao governo.

A Secretaria de Comunicação da Presidência também informou que os acessos tiveram caráter estritamente privado e não envolveram questões relacionadas à Administração Pública, acrescentando que não houve desdobramentos administrativos decorrentes das visitas.