sexta-feira, 21 de agosto de 2026
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“X-Men do PCC” criavam armadilhas nas redes sociais para executar rivais

Um perfil falso de uma mulher nas redes sociais era usado por integrantes dos chamados “X-Men do PCC” para atrair possíveis vítimas e dar início ao plano de eliminação de rivais em Taubaté, no interior de São Paulo. A estratégia fazia parte de uma ofensiva para ampliar o domínio de um grupo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre o tráfico de drogas e armas na região.

A atuação da quadrilha foi interrompida após uma operação da Polícia Civil realizada na última segunda-feira (17). A ação resultou na prisão de 10 suspeitos. Outros sete investigados ainda são considerados foragidos.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de participação em mais de 40 homicídios cometidos em 2021, durante uma disputa entre facções criminosas. Naquele ano, Taubaté registrou forte aumento no número de assassinatos, que passou de 21 para 42 ocorrências.

Os integrantes tinham funções distintas dentro da organização. Enquanto alguns eram responsáveis por identificar e monitorar os alvos, outros cuidavam da logística, dos veículos utilizados nos crimes e da execução das vítimas.

A investigação aponta ainda que a quadrilha roubava veículos em diferentes cidades do Vale do Paraíba para transformá-los em carros clonados, conhecidos como “dublês”. Os automóveis eram preparados para dificultar a identificação durante as ações criminosas.

Um dos presos na Operação X-Men teria como principal atribuição a preparação dos veículos e a elaboração de um espécie de “dossiê do crime”, reunindo informações sobre os alvos e suas rotinas. O material seria posteriormente repassado ao núcleo encarregado das execuções.

Outra integrante investigada é a estagiária de direito Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa, apontada pela polícia como “Jean Grey”. De acordo com a investigação, ela teria atuado na transmissão de ordens dos líderes da organização que estavam presos e mantinham contato com integrantes que permaneciam nas ruas.

Entre os apontados como chefes do grupo está Renato Capone de Souza, conhecido como Pig ou Capone, preso desde 2024. Imagens obtidas durante a investigação mostram o suspeito exibindo diferentes armas de fogo.

Em um dos casos, um integrante teria utilizado o perfil falso de uma mulher para se aproximar de um possível alvo. O homem, porém, percebeu que o contato era uma armadilha e não chegou a ser morto.

Após as prisões de lideranças da organização em 2021, integrantes do grupo passaram a utilizar nomes de personagens dos X-Men como codinomes, numa tentativa de dificultar o trabalho de investigação e evitar a identificação dos envolvidos.

Para a Polícia Civil, a nova operação conseguiu atingir diferentes níveis da estrutura criminosa e desarticular o núcleo responsável pelos homicídios, encerrando a atuação do grupo que teria participado da onda de violência registrada em Taubaté.