quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Âmbar culpa calor e “gatos” por contas de luz mais caras em Manaus

Manaus – A explicação apresentada pela Âmbar Energia para as contas de luz mais altas em Manaus acendeu um novo debate sobre a atuação da concessionária no Amazonas.

Em audiência pública na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o presidente da empresa, João Pilla, atribuiu o aumento principalmente ao maior consumo durante o verão amazônico, às ligações clandestinas, os chamados “gatos”, e à cobrança da contribuição de iluminação pública.

A justificativa, porém, não encerra as dúvidas dos consumidores. A própria apresentação feita pela empresa aponta que cerca de 45% da composição da tarifa está relacionada ao consumo de energia, enquanto 30,30% correspondem às perdas, incluindo desvios de energia. Já os encargos, segundo a Âmbar, representam menos de 1% da composição apresentada.

O problema é que a população não está apenas reclamando do calor ou do aumento do consumo. As contas elevadas vêm sendo acompanhadas de questionamentos sobre a estrutura tarifária e sobre o serviço prestado pela concessionária. A CMM já reúne assinaturas suficientes para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar denúncias de suposto sobrepreço praticado pela empresa. A Âmbar nega as acusações.

Outro ponto que merece atenção é que a Âmbar assumiu oficialmente o controle da distribuidora em abril de 2026, prometendo modernizar a rede, aumentar a eficiência operacional e promover o reequilíbrio financeiro da empresa. Na ocasião, a companhia anunciou uma nova fase para o sistema elétrico amazonense.

Pouco mais de um mês depois, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o reajuste tarifário anual da Amazonas Energia. Para os consumidores de baixa tensão, grupo que inclui a maioria dos residenciais, o efeito médio foi de 3,79%, enquanto o efeito médio geral chegou a 6,58%. A decisão também contemplou mecanismos de compensação e flexibilizações regulatórias relacionados às perdas não técnicas, custos operacionais e outros componentes.

A própria concessionária reconhece que a conta de energia não é formada apenas pelo consumo. Segundo a empresa, entram na composição custos de geração, transmissão, distribuição e encargos setoriais, além de tributos.

Também é importante separar a cobrança da iluminação pública da tarifa de energia. A Âmbar informa que a contribuição de iluminação pública é definida pelos municípios e apenas aparece na fatura de energia, a responsabilidade pelo serviço de iluminação pública é das prefeituras. Portanto, colocar a cobrança da contribuição diretamente na explicação para o aumento do preço da energia pode gerar confusão entre tarifa de distribuição e tributo municipal.

A empresa afirma ainda que pretende investir cerca de R$ 4 bilhões, até 2031, em um sistema de derivação de ramal e outras melhorias. O anúncio ocorre em meio à pressão por respostas sobre a qualidade do serviço e sobre o peso das perdas na conta dos consumidores.

Para o consumidor, entretanto, a questão central permanece: por que a conta aumentou e quem deve assumir a responsabilidade por esse aumento? Atribuir a alta ao calor e aos “gatos” pode explicar parte da equação, mas não elimina a necessidade de transparência sobre tarifas, perdas, custos operacionais, investimentos e resultados da concessionária.

Com uma CPI em discussão na Câmara Municipal e consumidores pressionando por respostas, a atuação da Âmbar no Amazonas deverá continuar sob escrutínio.

A empresa pede paciência e argumenta que está há menos de quatro meses à frente da distribuição.

Para quem recebe a fatura em casa, porém, a paciência tem limite, principalmente quando o valor cobrado pesa cada vez mais no orçamento familiar.