
Brasil – O influenciador Rico Melquíades se tornou alvo de uma investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE) de Alagoas após publicar um vídeo em que aparece questionando funcionárias sobre suas preferências políticas e relacionando o voto no PT à permanência delas no emprego. A gravação foi publicada no sábado (12) e rapidamente repercutiu nas redes sociais.
No vídeo, Rico pergunta às mulheres quem paga os salários delas e, em seguida, começa a questioná-las sobre posicionamento político. Ao falar com uma das funcionárias, identificada como Manuela, ele pergunta se ela seria do PT e, diante da resposta, afirma que ela estaria demitida.
“Não quero petista aqui dentro [de casa] também. Você é PT, Manuela? Responda. Você vai ser PT, Manuela? Está demitida. Traga a sua carteira [de trabalho]. Vai para a rua”, diz o influenciador durante a gravação.
Outra trabalhadora que aparece no vídeo também afirma ser petista, mas diz que deixou de apoiar candidatos do partido por causa do trabalho. Ao todo, quatro mulheres aparecem nas imagens divulgadas por Rico.
A repercussão fez o Ministério Público Eleitoral instaurar um procedimento para apurar se houve coação eleitoral. Para o órgão, a situação ultrapassa uma simples manifestação de opinião porque envolve uma relação de poder entre empregador e funcionárias.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, afirmou que não se trata de uma brincadeira quando o emprego de uma pessoa é colocado em jogo por causa de sua posição política. Segundo ele, a liberdade de escolha do eleitor deve ser preservada, especialmente em relações marcadas por dependência econômica.
O caso será encaminhado à Polícia Federal para investigação na esfera criminal. O MPE avalia possível enquadramento no artigo 301 do Código Eleitoral, que trata do uso de violência ou grave ameaça para constranger alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.
Além da apuração eleitoral, o Ministério Público do Trabalho também abriu investigação para analisar a possível ocorrência de assédio moral no ambiente profissional.
A investigação ainda está no início e não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal de Rico Melquíades. Até o momento, o influenciador não havia se manifestado publicamente sobre as apurações.







