terça-feira, 13 de outubro de 2026
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Mãe de Djidja, Cleusimar Cardoso publica carta aberta após deixar prisão e pede acolhimento ao filho Ademar

Manaus – Cleusimar Cardoso, mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, publicou sua primeira manifestação por meio de uma carta aberta após deixar o regime fechado. A mensagem foi direcionada aos profissionais do salão de beleza Belle Femme, empreendimento fundado por ela em 2001, em Manaus, e aborda a história da empresa, a participação dos filhos e os desafios enfrentados pela família após a morte de Djidja.

Intitulada “Belle Femme — Uma história de amor, raízes, cores e propósito”, a carta resgata a trajetória do negócio, criado por Cleusimar para garantir o sustento dos filhos, que ainda eram crianças na época. No texto, ela destaca a contribuição de Djidja para o crescimento e a identidade do salão, especialmente nas áreas de beleza, divulgação e administração. Também menciona a participação de Ademar na modernização dos processos e na organização da empresa.

Ao recordar o início da trajetória, Cleusimar compara a construção do empreendimento ao crescimento de uma árvore, cujas raízes representam a história familiar. “Eu fui a primeira. Eu plantei a primeira semente”, escreveu.

Um dos principais pontos da mensagem é o pedido de acolhimento ao filho Ademar Cardoso, que também foi condenado no processo relacionado ao caso. Cleusimar afirma que reconhecer a participação dele na história do salão não significa esquecer ou diminuir a importância da filha.

“Acolher Ademar não significa esquecer Djidja. Amar Djidja não exige rejeitar Ademar. Ninguém precisa escolher”, declarou.

A empresária também pede que os funcionários considerem a trajetória da família para além da repercussão do caso na imprensa. Ao abordar as questões judiciais, ela defende que os fatos sejam esclarecidos com base em documentos e provas.

Cleusimar comenta uso de seringas no salão

A carta também aborda a repercussão envolvendo seringas encontradas no contexto das investigações. Segundo Cleusimar, os materiais eram utilizados originalmente para medir produtos de beleza e evitar desperdícios.

Na versão apresentada por ela, a prática teria sido introduzida por Djidja após a participação em um curso de empreendedorismo. A explicação, no entanto, representa o relato da empresária e não substitui as provas e os elementos analisados pela Justiça no processo criminal.

Ao longo da mensagem, Cleusimar também fala sobre fé, memória e reconstrução. Ela reafirma o desejo de preservar o legado da filha e dar continuidade às atividades do Belle Femme, destacando a importância dos profissionais que participaram da trajetória do empreendimento.

“E agora existe um novo momento. Um momento de reencontro. Um momento de acolhimento. Um momento de reconstrução”, escreveu.

A carta termina com uma mensagem direcionada à equipe do salão, em que Cleusimar demonstra a intenção de manter viva a história do negócio, apesar das dificuldades enfrentadas pela família.

“Nós somos Belle Femme. E essa história, minha gente, ainda não terminou”, concluiu.

Sobre o caso Djidja

Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, foi encontrada morta em Manaus, em maio de 2024. A morte deu início a uma investigação que apurou o uso de cetamina, substância de uso anestésico, e a atuação de pessoas próximas à empresária.

Cleusimar e o filho Ademar foram presos durante as investigações e, em julho de 2026, condenados a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados ao tráfico de cetamina, conforme decisões divulgadas pela imprensa. A defesa de Cleusimar recorre da condenação.

Em setembro deste ano, a Justiça do Amazonas autorizou a progressão de Cleusimar do regime fechado para o semiaberto. Ela deixou a prisão em 29 de setembro e passou a cumprir a pena sob monitoramento eletrônico, além de outras condições impostas judicialmente.