domingo, 18 de outubro de 2026
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‘Mais grave do que eu imaginava’, disse ministro após sobrevoar áreas atingidas por incêndios no Amazonas

Amazonas – O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a situação dos incêndios florestais no Amazonas é “mais grave do que ele imaginava” após sobrevoar áreas atingidas pelas chamas na região de Autazes. Durante a vistoria, ele relatou ter identificado inúmeros focos de fogo em meio à floresta preservada, levantando suspeitas de ação criminosa para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento posterior.

Segundo o ministro, o cenário observado vai além de incêndios iniciados em pastagens que acabam se alastrando para áreas de floresta. A presença de focos isolados no interior da vegetação preservada, conforme sua avaliação, indica a possibilidade de que o fogo esteja sendo utilizado intencionalmente para destruir a cobertura florestal e abrir caminho para futuras derrubadas.

“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos”, declarou Capobianco ao cobrar medidas mais rigorosas contra os responsáveis.

Ministro cobra mobilização da Polícia Militar

Após o sobrevoo, Capobianco fez um apelo ao Governo do Amazonas para que a atuação no enfrentamento aos incêndios não fique restrita ao Corpo de Bombeiros. Ele defendeu também o envolvimento da Polícia Militar para reforçar a fiscalização, identificar possíveis autores e evitar a continuidade das queimadas.

O ministro destacou que o combate às chamas precisa ser acompanhado de medidas de segurança e responsabilização criminal. Na avaliação dele, sem a identificação e punição dos responsáveis, os esforços para controlar os incêndios poderão não impedir o surgimento de novos focos.

A vistoria foi realizada também pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que esteve no Amazonas para acompanhar a situação e discutir o reforço das ações de enfrentamento à crise ambiental.

Queimadas aumentaram no Amazonas

A gravidade do cenário também aparece nos números. De acordo com dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), entre 1º e 12 de outubro de 2026, foram registrados 1.600 eventos de fogo ativo no Amazonas, contra 444 no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 260%.

O avanço das queimadas tem provocado impactos ambientais e agravado a crise da qualidade do ar, especialmente em Manaus e municípios da Região Metropolitana. A fumaça também levou à adoção de medidas emergenciais, incluindo a suspensão de atividades em determinadas áreas e o reforço das ações de combate ao fogo.

O Governo Federal mobilizou aeronaves e brigadistas para auxiliar nas operações, enquanto equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de outros órgãos atuam no combate aos incêndios.

As suspeitas de incêndios criminosos deverão ser apuradas pelas autoridades competentes, responsáveis por identificar os envolvidos e reunir provas para eventual responsabilização.

A preocupação das autoridades é impedir que as chamas continuem avançando sobre a floresta amazônica, colocando em risco a biodiversidade, as comunidades próximas e a saúde da população afetada pela fumaça.

Manaus é sufocada

Neste sábado (17), Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça, cenário que voltou a chamar a atenção para os impactos das queimadas na região. A capital amazonense registrou índices extremamente elevados de poluição atmosférica, com medições que ultrapassaram 500 pontos em alguns locais, colocando a cidade entre as áreas com pior qualidade do ar do mundo nos indicadores monitorados.

A situação representa um alerta para a população, principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de problemas respiratórios.

O cenário reforça a preocupação com o avanço dos incêndios florestais no Amazonas e a necessidade de medidas para combater as queimadas, investigar possíveis ações criminosas e proteger a saúde dos moradores.