
Brasil – O pastor Isaac Venerando declarou publicamente apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrariando o posicionamento político de seu pai, o pastor José Carlos de Lima, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus na Paraíba. A manifestação ganhou repercussão nesta terça-feira (20), em meio à polarização política e religiosa que marca a disputa presidencial de 2026.
Em um vídeo gravado no comitê central da campanha petista, Isaac defendeu sua escolha e destacou ações realizadas durante os governos de Lula, principalmente nas áreas de infraestrutura e habitação popular.
“Eu sou pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, mas eu não sou gado. Eu tenho sangue de trabalhador. E é por isto que eu estou com Lula. Lula para presidente”, declarou.
Durante a gravação, o religioso também mencionou obras como a construção de estradas, hidrelétricas, aeroportos e portos, além de iniciativas voltadas à habitação popular. Ao justificar o apoio, afirmou que considera importantes as ações que, em sua avaliação, beneficiam a população brasileira.
Divergência dentro da família
A declaração de Isaac contrasta com o posicionamento de seu pai, José Carlos de Lima, que tem histórico de alinhamento com o campo político conservador e apoio associado à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
A divergência entre os dois evidencia que as posições políticas não são necessariamente uniformes entre integrantes de uma mesma família, mesmo quando estão ligados a instituições religiosas com forte atuação pública.
O episódio também ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas entre lideranças evangélicas, segmento que tem relevância no debate eleitoral brasileiro.
Religião e política
A manifestação de Isaac reacende a discussão sobre a relação entre fé, orientação política e liberdade individual. Embora líderes religiosos possam expressar suas preferências eleitorais, suas declarações não representam, necessariamente, a posição de todos os integrantes de suas igrejas.
A fala do pastor também chama atenção pela expressão “não sou gado”, utilizada para rejeitar a ideia de seguir automaticamente uma orientação política. Ao associar sua escolha à identidade de trabalhador, Isaac procurou justificar o apoio a Lula a partir de sua própria avaliação das ações do governo.
O caso ganhou destaque justamente por envolver duas gerações de uma família com influência no meio evangélico paraibano, mas com posicionamentos políticos distintos.








