
EUA – O papa Leão XIV entrou para a história da Igreja Católica ao se tornar o primeiro pontífice conhecido a votar em uma eleição nos Estados Unidos. A confirmação foi divulgada pelo Vaticano nesta sexta-feira (30), após o religioso enviar sua cédula eleitoral pelos Correios para a cidade de Chicago, onde nasceu.
O voto foi destinado às eleições de meio de mandato (midterms), previstas para a próxima terça-feira (3 de novembro). O pleito definirá a composição das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 vagas do Senado norte-americano. Também serão escolhidos governadores em 36 estados.
Em comunicado, a Sala de Imprensa da Santa Sé informou que Leão XIV exerceu seu direito de voto como cidadão dos Estados Unidos, sempre que teve essa possibilidade. O Vaticano também destacou que o pontífice manteve o hábito de participar dos processos eleitorais durante os anos em que morou no Peru.
“O Santo Padre manifesta sua convicção a respeito do direito e do dever dos cidadãos de participar dos processos democráticos”, informou a instituição.
Voto foi registrado com nome de nascimento
Nascido em Chicago, o papa, de 71 anos, tem cidadania norte-americana e peruana. Antes de assumir o comando da Igreja Católica, em maio de 2025, era conhecido como Robert Francis Prevost.
Segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana, o voto foi registrado utilizando seu nome de nascimento. O pontífice mantém registro eleitoral no estado de Illinois.
Apesar da confirmação do envio da cédula, o Vaticano não revelou quais candidatos receberam o voto do religioso. Também não há informações públicas sobre suas escolhas nas eleições atuais.
Relação com Trump
A participação eleitoral do papa ocorre em um momento de divergências públicas entre o pontífice e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nos últimos meses, Leão XIV fez críticas a posicionamentos do governo norte-americano, especialmente em relação às políticas migratórias e à guerra envolvendo o Irã. Trump, por sua vez, já fez declarações críticas ao religioso.
As eleições de 3 de novembro não escolherão um novo presidente, mas terão impacto direto na composição do Congresso dos Estados Unidos e na força política do governo Trump.
O gesto do papa também chama atenção por reforçar uma posição defendida pelo Vaticano: a participação nos processos democráticos como um direito e um dever dos cidadãos.








