quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
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Deepfakes sexuais em escolas: 173 vítimas identificadas em dez estados brasileiros

Um mapeamento inédito realizado pela organização SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino públicas e privadas de dez estados brasileiros. Os dados alarmantes foram divulgados nesta terça-feira (10), em São Paulo, durante um evento que celebrou o Dia da Internet Segura.

As deepfakes sexuais são definidas pela Safernet como imagens ou vídeos de nudez criados com inteligência artificial (IA) generativa, sem o consentimento das pessoas retratadas. A tecnologia é empregada para manipular o rosto das vítimas em conteúdos falsos, configurando grave violação de privacidade e da dignidade humana.

O relatório completo, que começou a ser elaborado em 2023 com base no monitoramento de notícias e conta com recursos do fundo SafeOnline, gerido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), tem lançamento previsto para março. O estudo também aponta que as denúncias de crimes cibernéticos no país aumentaram 28% em 2025.

Perfil das Vítimas e Autores

Segundo Sofia Schuring, pesquisadora da SaferNet Brasil, todas as vítimas identificadas no levantamento são mulheres, incluindo estudantes e professoras. O estado de São Paulo lidera o número de ocorrências, com 51 vítimas, seguido por Mato Grosso e Pernambuco, ambos com 30 casos, e Rio de Janeiro, com 20. O levantamento também conseguiu identificar 60 autores desses crimes.

Central de Denúncias em Ação

Além do mapeamento realizado por meio de notícias, a SaferNet opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Desde 2023, este canal recebeu 264 links (URLs) relacionados a crimes de deepfake sexual e materiais de abuso sexual infantil.

“Analisamos 264 links reportados que podiam ter vínculo com o compartilhamento de deepfakes sexuais não consentidos e de materiais artificiais de abuso sexual infantil. Desses, 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil”, afirmou Sofia Schuring.

A pesquisadora detalhou que 8% do total das URLs analisadas continham conteúdo artificial de abuso e exploração sexual infantil. “Esses links hospedavam conteúdos, eram ferramentas de criação ou grupos de disseminação”, completou.

A central também registrou dez casos de deepfakes envolvendo adultos e 20 casos de vazamento de imagens íntimas reais, sem o uso de IA.

Modus Operandi e Recomendações

De acordo com a SaferNet, os grupos criminosos que compartilham esses conteúdos operam de forma organizada, utilizando bots de notificação, plataformas de mensagens como o Telegram e fóruns na dark web. “Eles se apoiam em falhas de governança tanto das plataformas quanto do nosso sistema de fiscalização desses conteúdos”, explicou Sofia.

Diante deste cenário preocupante, a organização defende o banimento de ferramentas de notificação e a “asfixia financeira” dessas redes criminosas.

Como Denunciar

Denúncias sobre crimes cibernéticos, como abuso sexual infantil e crimes de ódio, podem ser feitas de forma anônima através da Central Nacional de Denúncias da SaferNet Brasil.

Com informações da assessoria