segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
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Estudo revela aumento da toxicidade de agrotóxicos no mundo; Brasil é destaque

A toxicidade dos agrotóxicos aumentou globalmente entre 2013 e 2019, com o Brasil figurando entre os países com maior intensidade de uso e impacto. A descoberta, detalhada em um estudo recente na revista Science, desafia a meta de redução de riscos estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2030.

Vulnerabilidade de ecossistemas em ascensão

Pesquisadores da universidade alemã de Kaiserslautern-Landau analisaram 625 pesticidas em 201 países, utilizando o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT). O estudo revela que seis de oito grupos de espécies estão mais expostos a essa toxicidade crescente. Artrópodes terrestres lideram o aumento, com uma toxicidade anual de 6,4%, seguidos por organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%), invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%). Apenas plantas aquáticas e vertebrados terrestres, que incluem os humanos, apresentaram uma leve diminuição na toxicidade total aplicada.

Brasil entre os maiores impactadores

O Brasil se destaca no cenário global, apresentando uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola. Ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia, o país contribui significativamente para os índices mundiais. Brasil, China, Estados Unidos e Índia, juntos, respondem por uma parcela expressiva da toxicidade total aplicada globalmente. O peso do agronegócio brasileiro, especialmente em culturas extensivas como soja, algodão e milho, é apontado como um fator crucial para essa relevância.

Concentração de toxicidade e classes químicas

Um achado importante do estudo é a concentração do problema: em média, apenas 20 pesticidas em cada país são responsáveis por mais de 90% da toxicidade total. Diversas classes químicas dominam esses impactos. Inseticidas como piretroides e organofosforados são os principais responsáveis pela toxicidade em invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas afetam significativamente os polinizadores. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem às classes que mais contribuem para a toxicidade em plantas aquáticas e terrestres, com riscos associados à saúde humana e ambiental.

Meta da ONU distante para a maioria dos países

A análise de 65 países indica que, sem mudanças estruturais, apenas o Chile tem probabilidade de atingir a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade de pesticidas até 2030. China, Japão e Venezuela apresentam tendências de queda, mas necessitam de aceleração. Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta. O Brasil e a maioria dos outros países estudados precisam reverter os padrões de uso de agrotóxicos para retornar aos níveis de toxicidade de mais de 15 anos atrás.

Estratégias para conter a escalada de riscos

Os pesquisadores sugerem três frentes principais para combater o aumento dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo preciso são apontadas como estratégias eficazes para reduzir impactos sem comprometer a produtividade.

Com informações da Agência Brasil