terça-feira, 10 de março de 2026
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Dívida Pública Federal supera R$ 8,6 trilhões e fica estável em janeiro

Dívida Pública Federal mantém patamar elevado

A Dívida Pública Federal (DPF) encerrou janeiro em R$ 8,641 trilhões, uma leve alta de 0,07% em relação a dezembro, quando estava em R$ 8,635 trilhões. Os juros elevados foram o principal fator que impediu uma redução do endividamento, mesmo com um grande volume de vencimento de papéis prefixados. Em agosto de 2023, a DPF já havia ultrapassado a marca de R$ 8 trilhões pela primeira vez.

Impacto da Taxa Selic no endividamento

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) registrou um aumento de 0,26%, atingindo R$ 8,33 trilhões. O Tesouro Nacional resgatou R$ 67,02 bilhões a mais em títulos do que emitiu, especialmente aqueles atrelados à Taxa Selic. Contudo, esse resgate líquido foi compensado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros. A apropriação de juros reflete a correção mensal sobre os títulos, incorporando esse valor ao estoque da dívida. Com a Selic em 15% ao ano, esse processo exerce pressão sobre o endividamento público.

Movimentação de Títulos e Dívida Externa

Em janeiro, o Tesouro emitiu R$ 145,87 bilhões em títulos da DPMFi. No entanto, o alto volume de vencimentos de papéis prefixados no período levou a resgates totais de R$ 212,89 bilhões. Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma queda de 4,75%, passando para R$ 310,59 bilhões. A desvalorização do dólar em 4,95% no mês foi o principal responsável por essa redução.

Redução do Colchão da Dívida

Pelo segundo mês consecutivo, o colchão da dívida pública, que serve como reserva financeira, diminuiu. Ele caiu de R$ 1,187 trilhão em dezembro para R$ 1,085 trilhão em janeiro, principalmente devido ao resgate líquido. Atualmente, o colchão cobre 6,77 meses de vencimentos, o menor patamar desde março de 2023. Nos próximos 12 meses, o vencimento previsto é de R$ 1,424 trilhão em títulos federais.

Composição e Prazo da Dívida

A composição da DPF sofreu alterações com o vencimento de títulos prefixados. O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que o estoque da DPF encerrará 2026 entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Títulos prefixados oferecem previsibilidade, mas em momentos de instabilidade, suas emissões diminuem devido à alta exigência de juros por parte dos investidores. Títulos vinculados à Selic, por sua vez, atraem compradores devido aos juros básicos elevados. O prazo médio da DPF oscilou de 4 para 4,03 anos, indicando o tempo médio para o governo renovar sua dívida.

Participação de Investidores Estrangeiros

A participação de investidores não residentes na Dívida Pública Federal interna aumentou em janeiro, refletindo a diminuição das tensões no mercado financeiro. Em dezembro, essa fatia era de 10,35%, e em novembro de 2024, atingiu 11,2%, o maior nível desde setembro de 2018.

Com informações da Agência Brasil