quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
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Censo Escolar 2025: matrículas na educação básica caem 1 milhão, MEC aponta redução da distorção idade-série como fator

O Censo Escolar 2025 registrou uma queda de 1,082 milhão de matrículas na educação básica em comparação com 2024, atingindo um total de 46,018 milhões de estudantes. Segundo o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), essa redução não é um sinal de retrocesso, mas sim um indicativo de maior eficiência do sistema educacional brasileiro.

Queda nas matrículas e suas causas

A diminuição de 2,29% nas matrículas é atribuída principalmente à redução da população em idade escolar, especialmente nas faixas etárias de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, apresentados pelo Inep, indicam uma retração de 8,4% na população de 0 a 3 anos entre 2022 e 2025.

Outro fator relevante apontado pelo MEC é a melhoria nos indicadores de distorção idade-série e a diminuição das taxas de repetência. O ministro da Educação, Camilo Santana, explicou que, à medida que os alunos progridem mais rapidamente e a distorção idade-série diminui, o número total de matrículas tende a cair.

“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluam, eu reduzo o número de matrículas”, afirmou Santana.

Avanços na educação infantil e conectividade

A educação infantil apresentou avanços significativos, com 41,8% das crianças de 0 a 3 anos tendo acesso à creche, aproximando-se da meta de 50% do Plano Nacional de Educação (PNE). Em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas, com o Novo PAC prevendo investir R$ 7,37 bilhões para a construção de mais 1.670 creches.

A conectividade nas escolas da educação básica também aumentou, com 94,5% das unidades possuindo acesso à internet em 2025, um salto em relação aos 82,8% em 2021. O MEC investiu R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025 para melhorar a conectividade, especialmente na região Norte.

Visão de especialistas

Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, corroborou os motivos apontados pelo MEC, destacando a análise cuidadosa dos dados demográficos e educacionais. Ela ressaltou que, embora o número de matrículas tenha diminuído, a frequência escolar na faixa etária de 4 a 17 anos é alta (97,2%), indicando que uma parcela maior de jovens está, de fato, na escola.

“Isso significa que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. Dito isso, o desafio permanece: precisamos garantir que todos os estudantes tenham acesso, permanência e qualidade no aprendizado em todas as etapas. E isso exige uma articulação federativa mais forte e estratégica”, pontuou Guedes.

Com informações da Agência Brasil