
Falta de avisos e planos de contingência são apontados por sobreviventes e especialistas
Juiz de Fora, MG – Sobreviventes da recente tragédia causada por chuvas extremas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, apontam a falha dos sistemas de alerta como um fator crucial para o alto número de mortes. Especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) corroboram a necessidade de um plano mais eficaz para a preparação da população em casos de desastres naturais.
Relatos de moradores evidenciam falhas na comunicação
O pedreiro Danilo Frates, morador do Jardim Parque Burnier, uma das áreas mais atingidas, relatou à Agência Brasil que não recebeu nenhum aviso prévio sobre os deslizamentos que ocorreram na segunda-feira (23). Ele descreveu a cena de poeira e chuva intensa, percebendo o perigo apenas ao sair de casa.
“Não teve aviso, não teve sirene para alertar, não teve”, afirmou Danilo, ressaltando que a chegada da Defesa Civil foi demorada. Ele acredita que alertas mais efetivos, incluindo sirenes e orientações no local, poderiam ter salvado mais vidas.
Especialistas cobram aprimoramento dos sistemas de alerta e planos de contingência
Miguel Felippe, professor do Departamento de Geociências da UFJF, destacou que, apesar de Juiz de Fora possuir um mapa de risco e um sistema de alerta, a comunicação com a população precisa ser aprimorada. Ele enfatizou a importância de ir a campo, instruir os moradores e ter um plano de contingência claro, com rotas de fuga e endereços de abrigos.
Jordan de Souza, professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da UFJF, comparou a importância do sistema de alerta com as obras de engenharia. Ele mencionou que o volume de chuva superou a capacidade das estruturas existentes e defendeu a realocação de moradores em áreas de alto risco, onde a contenção de encostas não é viável.
Prefeitura explica sistema de alerta e desafios
Cidinha Louzada, secretária de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular, explicou que a cidade possui um sistema de alerta por mensagens de celular. No entanto, as sirenes sonoras não seriam adequadas devido às características do terreno. Ela apontou que a relutância dos moradores em deixar suas casas, por apego ou medo de não ter para onde ir, é um dos principais desafios.
A secretária informou que Juiz de Fora é a nona cidade do país em risco de desastre geológico e que a prefeitura realiza monitoramento constante em áreas de risco, oferecendo auxílio moradia, que teve o valor aumentado de R$ 200 para R$ 1,2 mil. A expectativa é que a entrega de 278 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida amplie o atendimento às famílias necessitadas.
A prefeitura também informou que há obras em andamento ou contratadas, com recursos federais, para contenção de encostas, totalizando mais de R$ 500 milhões. Uma das obras mais importantes é a instalação de um pôlder no bairro Industrial para conter enchentes.
O acumulado de chuva em Juiz de Fora até 25 de fevereiro foi de 749 milímetros, o maior registrado nos últimos 30 anos, superando eventos de 1972 e 1985.
Com informações da Agência Brasil






