terça-feira, 3 de março de 2026
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Comunidade tradicional revitaliza manguezais da Baía de Guanabara com projetos ambientais

A participação ativa de comunidades tradicionais está promovendo uma transformação significativa no cenário ambiental dos manguezais da Baía de Guanabara. Projetos focados na remoção de resíduos sólidos, na conscientização de pescadores e catadores de caranguejo, e na recuperação da fauna e flora locais, têm levado à recuperação de áreas em diversos municípios da região.

Projeto Andadas Ecológicas e a Moeda Azul

Em janeiro e fevereiro, o Projeto Andadas Ecológicas, da ONG Guardiões do Mar, retirou 4,5 toneladas de lixo em Magé. Pescadores artesanais, catadores de caranguejo e jovens da comunidade de Suruí são os principais beneficiários diretos das ações.

Além da limpeza, o projeto implementa a formação de um ecoclube e utiliza a Moeda Azul, a Mangal, como tecnologia social inédita para o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O projeto envolverá escolas, espaços comunitários e moradores das margens do Rio Suruí por dois anos.

Educação ambiental e incentivo financeiro

Pedro Belga, presidente da Guardiões do Mar, ressalta que o Andadas Ecológicas vai além da simples coleta de lixo. O projeto foca na educação ambiental ao longo das margens do Rio Suruí, incentivando os moradores a gerenciar seus resíduos pós-consumo e a separar materiais recicláveis.

Famílias, crianças e jovens podem trocar os resíduos coletados pelas moedas Mangal, que posteriormente podem ser utilizadas em um bazar. Essa iniciativa visa não apenas a limpeza, mas também a geração de renda e conscientização.

Pagamento por Serviços Ambientais e o impacto na produção

O conceito de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é aplicado pela Guardiões do Mar desde 2001, com a primeira ação na comunidade da Ilha de Itaoca. Belga destaca a importância de contratar as comunidades para a limpeza, pois isso as sensibiliza e as transforma em agentes ambientais.

A limpeza dos mangues tem um impacto direto no aumento da produção de peixes e caranguejos, além de melhorar a qualidade do ecossistema. Para os catadores de caranguejo, o PSA é fundamental, especialmente durante o período de defeso.

Rafael dos Santos, presidente da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé, afirma que o Turismo de Base Comunitária também se beneficia. Um manguezal mais limpo atrai mais visitantes para a região, impulsionando a economia local.

Operação LimpaOca e a extensão do projeto

O Projeto Andadas Ecológicas é uma extensão da Operação LimpaOca, que desde 2012 já recolheu mais de 100 toneladas de resíduos na APA de Guapimirim. Pela primeira vez, a ação se estenderá da foz à nascente do Rio Suruí.

Rodrigo Gaião, coordenador, relata que resíduos como sofás, tubos de TV e portas já foram encontrados, mas o plástico continua sendo o material mais prevalente. “O plástico domina, seja em forma de garrafa pet ou outros tipos de potes plásticos e sacolas em quantidade absurda”, pontua.

Histórico de revitalização na Baía de Guanabara

Os projetos de limpeza dos mangues no entorno da APA de Guapimirim iniciaram em 2000, após um vazamento de petróleo da Petrobras. A empresa pagou multa e investiu na revitalização da baía.

Desde então, diversas ONGs, como a Guardiões do Mar, têm realizado ações contínuas de limpeza, como o Mar ao Mangue, Dia de Limpeza da Baía de Guanabara, Sou do Mangue, Guanabara Verde, LimpaOca e Uçá.

“Não é um projeto que chegou de uma hora para outra. Ao contrário, foi construído com grandes passos deles e isso valoriza eles não só no território, mas na qualidade de vida”, observou Gaião. “Tem bastante pescador já ciente que a sua própria luta não está sendo em vão.”

Com informações da Agência Brasil