
A área ocupada por favelas no Brasil quase triplicou nos últimos 40 anos, com um crescimento mais acentuado nas regiões metropolitanas do país. Em 2024, essas áreas concentravam 82% das zonas urbanizadas em favelas, indicando uma tendência preocupante de adensamento em centros urbanos já saturados.
Crescimento e concentração metropolitana
O geógrafo Júlio Pedrassoli, coordenador do Mapiomas, destaca que o crescimento das favelas em comparação com a média nacional e sua concentração metropolitana intensificam problemas estruturais. “As metrópoles concentram muita riqueza, mas também intensificam problemas estruturais. Frente às mudanças climáticas em curso, se acende um sinal de alerta”, afirma Pedrassoli.
Metrópoles com maiores áreas de favelas
As regiões metropolitanas que lideram em áreas urbanizadas em favelas são São Paulo (SP), com 11,8 mil hectares; Manaus (AM), com 11,4 mil hectares; e Belém (PA), com 11,3 mil hectares. Esses números refletem a dinâmica de ocupação em grandes centros urbanos brasileiros.
Distrito Federal lidera crescimento e abriga maiores favelas
No recorte por favela, o Distrito Federal se destaca pelo maior crescimento entre 1985 e 2024. As favelas Sol Nascente e 26 de Setembro emergiram como as maiores do Brasil, com 599 e 577 hectares, respectivamente. A imagem da Agência Brasil ilustra o aglomerado de casas em favelas como o Complexo do Alemão.
Segurança hídrica em risco
O estudo também revela que as cidades brasileiras têm ocupado cada vez mais áreas ameaçadas pela escassez hídrica. Cerca de 25% das áreas naturais urbanizadas estão em locais com capacidade crítica de abastecimento de água, totalizando 167,5 mil hectares em 1.325 municípios.
Rio de Janeiro lidera ocupação em áreas com mínima segurança hídrica
A cidade do Rio de Janeiro é a que mais urbanizou áreas com mínimas condições de segurança hídrica, adicionando 7,6 mil hectares nesse cenário nos últimos 40 anos. Pedrassoli ressalta a gravidade do problema: “Existe um descompasso entre o crescimento das cidades e a disponibilidade de água. O fato de 1.325 municípios terem ampliado sua mancha urbana nessas condições revela que o problema é estrutural e nacional. Não é apenas uma questão de risco”, conclui.
Com informações da Agência Brasil







