
Brasil – O bispo Edir Macedo desembolsou R$ 250 milhões do próprio bolso para reforçar o capital do Digimais e cumprir exigências do Banco Central (BC).
Segundo a imprensa, a medida entrou em um plano de reestruturação desenhado para manter a instituição de pé enquanto buscava um comprador.
Na prática, o movimento funcionou como uma boia de curto prazo. Ainda assim, não resolveu o problema central: o banco continua com dificuldades para se reorganizar sozinho e não conseguiu destravar uma venda.
Reestruturação bancária: tentativa de venda e o “efeito vitrine”
A estratégia por trás do aporte foi clara: melhorar a fotografia do Digimais o suficiente para atrair interessados e permitir uma transação supervisionada. O plano, no entanto, patinou.
Relatórios de 2024 e 2025 já apontavam uma combinação indigesta para qualquer banco: alta inadimplência no pós-pandemia, erosão do patrimônio e necessidade de aportes recorrentes para evitar uma quebra técnica.
Negociações frustradas: de investidor a Nubank
Ao longo de 2025, o Digimais passou por reestruturações sob supervisão do BC e chegou a avançar em conversas de venda.
Um investidor do mercado, Mauricio Quadrado (ex-sócio do Banco Master), chegou a anunciar que teria fechado a compra, mas a negociação não avançou.
Outro nome que entrou no radar foi Tércio Borlenghi Jr., fundador e controlador da Ambipar. A proposta foi apresentada ao BC, mas a conversa azedou pouco antes do pedido de recuperação judicial da Ambipar, em outubro de 2025.
O Nubank também negociou, mas desistiu.
Com isso, a alternativa defendida pelo BC, vender a instituição para dar uma saída ordenada, perdeu tração. Desde então, o Digimais segue operando sem um caminho fácil de capitalização e sem interessados dispostos a assumir o risco.
Ação judicial e risco de calote: o caso dos quase R$ 500 milhões
No início de fevereiro, uma nova frente judicial aumentou a pressão sobre o caixa. O empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio da instituição, afirma ter acumulado prejuízo de quase R$ 500 milhões ao aceitar papéis de Fictor, Reag e Banco Master como lastro para a participação do Digimais em um fundo de investimento chamado EXP 1.
Segundo o relato, os ativos foram utilizados para a compra de 80% do fundo pelo banco. Os 20% restantes ficaram com Marinho, dono da Yards Capital, gestora do fundo. O problema é que o valor da carteira despencou conforme avançaram investigações envolvendo o Master, a Reag e a Fictor.
A Yards notificou o Digimais para que o banco comprasse a carteira aportada, estimada em R$ 462,2 milhões. A maior fatia estaria associada a Banco Master e Reag (cerca de R$ 316,6 milhões), enquanto o restante seria ligado à Fictor.
Banco Master, Reag e Fictor: quando o risco vira contágio
O enredo se complica porque os nomes citados no lastro passaram a enfrentar turbulências próprias.
A Reag foi alvo de operações policiais recentes que miraram a região da Faria Lima, com apurações sobre supostas manobras e movimentações suspeitas. Em meio ao aumento das suspeitas, o Banco Central determinou a liquidação da gestora em 15 de dezembro.
Já a Fictor ganhou projeção ao anunciar, em novembro de 2025, que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. Um dia depois, o Master foi liquidado, executivos presos e, semanas depois, a própria Fictor entrou com pedido de recuperação judicial, alegando crise de liquidez após pedidos de resgate.
O resultado é um efeito dominó: quando ativos atrelados a instituições sob escrutínio perdem valor, a disputa deixa de ser contábil e vira sobrevivência, especialmente para um banco que já tentava se vender.
O que pode acontecer com o Digimais daqui para frente
Com o aporte de R$ 250 milhões já realizado e a venda ainda travada, o Digimais passa a ter um desafio duplo: sustentar a operação enquanto administra o desgaste reputacional e a insegurança jurídica trazida por novas ações.
Se a busca por comprador continuar sem tração, a pressão tende a aumentar porque, no mercado financeiro, o tempo quase sempre custa caro.





