segunda-feira, 6 de abril de 2026
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Feministas adotam tatuagens de pelos nas axilas para afastar ‘homens misóginos’

Uma nova tendência inusitada vem chamando atenção nas redes sociais: tatuagens feitas para parecerem pelos nas axilas. Diferentemente de desenhos sutis e minimalistas, as artes reproduzem a textura dos fios com foco em realismo — e, justamente por isso, têm alimentado discussões intensas entre internautas.

Nas plataformas, parte do debate gira em torno do significado político atribuído à prática. Para integrantes do movimento feminista, a chamada “tatuagem de pelos” nas axilas funciona como um gesto de recusa aos padrões de beleza historicamente impostos, além de ser apresentada como uma forma de afastar homens descritos por elas como misóginos.

Mais do que uma escolha estética, para essas mulheres a tatuagem é tratada como linguagem e posicionamento: uma resposta pública ao controle do corpo e à expectativa de “adequação” feminina.

Enquanto a tendência ganha adeptas, críticas também se intensificam. O ponto de tensão, em geral, é a leitura do que está em jogo: há quem veja a tatuagem como uma provocação legítima e expressão de autonomia, e há quem enxergue a prática como um convite à polarização, reduzindo uma pauta complexa a um “sinal” visual.

Entidades e comentaristas divergem ainda sobre o alcance desse tipo de protesto. Para alguns, gestos desse tipo podem reforçar autoestima e estimular conversas sobre liberdade corporal. Para outros, o risco é que a mensagem se dilua em interpretações superficiais — principalmente quando o fenômeno viraliza e passa a ser consumido como curiosidade.

De todo modo, o que se observa é que a tatuagem de pelos nas axilas se tornou mais do que uma moda: virou terreno de disputa simbólica. E, à medida que novas pessoas aderem — ou condenam —, a tendência segue expandindo um debate que, no fundo, toca em temas recorrentes do feminismo contemporâneo: quem define o corpo, como ele deve ser visto e o que significa “resistir” quando a discussão é estética.