
Manaus – Uma boia de isopor com sensor criada por uma menina de 10 anos em Manaus transformou a poluição vista nos igarapés em uma ideia sustentável com tecnologia simples. A invenção de Kathellen Sabrina dos Santos Lima foi pensada para sinalizar quando resíduos aparecem na água.
O projeto ganhou repercussão ao ser selecionado para o Micro Global Challenge, desafio internacional promovido pela Fundação Microbit, em Londres, voltado a crianças de 8 a 12 anos. Kathellen foi a única representante da América Latina entre os selecionados.
Ideia nasceu da poluição vista perto de casa
Kathellen vivia em Manaus, no Amazonas, e se incomodava ao ver igarapés cheios de lixo. A partir dessa realidade, decidiu criar uma solução que chamasse atenção para o descarte irregular de resíduos na água.
A boia de isopor com sensor surgiu como tentativa de ajudar a identificar lixo sendo jogado em igarapés. A força da história está justamente nisso: uma criança observou um problema cotidiano e tentou responder com uma invenção simples, visual e ligada ao meio ambiente.
Projeto usa micro como sinalizador
O projeto recebeu o nome de “Boia”. A invenção consiste em uma boia feita com isopor e equipada com uma placa micro, um pequeno computador programável usado em atividades de tecnologia educacional.
A proposta é que o equipamento funcione como sinalizador quando resíduos aparecem na água. O Recicla Sampa também descreve a invenção como uma espécie de boia que avisa quando há resíduos flutuando, destacando o uso de sensor para alertar sobre lixo nos rios.
O projeto teve orientação do professor de robótica Tiago Cauassa. De acordo com as fontes, ele desenvolvia iniciativas voluntárias para aproximar crianças de escolas públicas e particulares da tecnologia, com foco em invenções voltadas a problemas da sociedade.
Cauassa abriu vagas para estudantes interessados em participar do desafio internacional. A partir daí, crianças criaram projetos em áreas como saúde, segurança e meio ambiente. No caso de Kathellen, a tecnologia foi usada para olhar diretamente para a realidade dos igarapés de Manaus.
Desafio internacional tinha crianças de vários continentes
O Micro Global Challenge foi lançado pela Fundação Microbit, em Londres, para crianças entre 8 e 12 anos. Segundo o Portal Amazônia, os participantes deveriam criar invenções usando a micro para tentar resolver problemas ligados a metas globais.
Kathellen conquistou uma das seis vagas da competição. A premiação estava prevista para 28 de janeiro de 2019, no Museu de Londres, e a estudante brasileira foi selecionada ao lado de crianças representantes de outras regiões do mundo.
Única representante da América Latina
A conquista chamou atenção porque Kathellen se tornou a única representante da América Latina no desafio. Aos 10 anos, a estudante do 5º ano da Escola Estadual Itacyara Nogueira Pinho levou uma solução amazônica para uma vitrine internacional.
A boia de isopor com sensor colocou Manaus no centro de uma conversa sobre infância, robótica e preservação ambiental. O projeto mostrou que uma ideia simples pode ganhar escala simbólica quando nasce de um problema real e reconhecível.
Invenção mira igarapés, não grandes laboratórios
A proposta de Kathellen não depende de uma estrutura industrial complexa. A base do projeto é uma boia de isopor, uma placa programável e um objetivo direto: facilitar a identificação de lixo em cursos d’água.
Esse ponto ajuda a explicar o apelo da invenção. Em vez de partir de um laboratório distante, a solução nasceu de uma observação local. A estudante quis agir sobre um problema que via na própria cidade, onde os igarapés fazem parte da paisagem urbana e ambiental.
Robótica apareceu como ferramenta de cidadania
A história também mostra como a robótica pode ir além de competições e aulas técnicas. No projeto, a micro serviu como ferramenta para pensar em meio ambiente, descarte de resíduos e cuidado com a água.
A boia de isopor com sensor une educação tecnológica e consciência ambiental. Para crianças, esse tipo de experiência pode transformar a ideia de tecnologia: ela deixa de ser apenas tela ou brinquedo e vira instrumento para resolver problemas concretos.
Kathellen queria mudar a realidade dos igarapés
Em declaração citada pelo Portal Amazônia, Kathellen afirmou que queria fazer algo para mudar a realidade dos igarapés e para que as pessoas parassem de jogar lixo nesses locais. Ela também contou que nunca tinha trabalhado com robótica antes, mas gostou da experiência.
Ao Recicla Sampa, a menina disse que, quando crescesse, queria fazer mais projetos úteis como aquele. A frase reforça a dimensão educativa do caso: a invenção não foi só um objeto, mas um primeiro passo de uma criança dentro da ciência aplicada ao cotidiano.
Seis projetos foram enviados para avaliação
Segundo o relato do professor Tiago Cauassa ao Portal Amazônia, os estudantes desenvolveram vários projetos, dos quais seis foram finalizados depois de três semanas e enviados para Londres para avaliação.
A seleção internacional veio desse processo. O professor destacou a satisfação com o resultado e afirmou que já havia ideias para continuar o projeto após a viagem, abrir novas turmas e alcançar outras crianças.
Meio ambiente virou ponto de partida para inovação
A invenção de Kathellen dialoga com uma questão recorrente nas cidades amazônicas: o descarte de lixo em igarapés. A proposta da estudante não resolve sozinha o problema, mas ajuda a chamar atenção para ele de forma prática e educativa.
A boia de isopor com sensor funciona como símbolo de uma possibilidade maior: aproximar crianças de tecnologia para que elas criem respostas a desafios ambientais do próprio território. Quando a escola valoriza esse tipo de olhar, o aluno deixa de ser apenas observador e passa a propor soluções.
Quando uma criança transforma incômodo em projeto
A trajetória de Kathellen mostra como uma situação comum, ver lixo na água, pode virar ponto de partida para uma invenção. Aos 10 anos, ela conectou isopor, sensor e micro para criar uma ideia voltada aos igarapés de Manaus.
A pergunta que fica é direta: quantas soluções simples poderiam surgir se mais crianças tivessem acesso a robótica, orientação e espaço para transformar problemas do bairro em projetos reais?
Você acha que escolas deveriam incentivar mais invenções ambientais como essa boia de isopor com sensor? Deixe sua opinião nos comentários.







