segunda-feira, 29 de junho de 2026
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PM é denunciada por invadir terreiro e recolher instrumentos de culto na zona norte de Manaus

No último domingo (28), uma ação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus, gerou denúncias de racismo religioso, injúria racial e abuso de autoridade. A ocorrência, que teria começado após uma denúncia de suposta poluição sonora e perturbação do sossego, terminou com a apreensão de instrumentos sagrados do Centro Religioso Mina Jéje-Nagô Nossa Senhora da Conceição.

Segundo o advogado e sacerdote da instituição, Heriberto Sena Jr., a abordagem ocorreu de forma truculenta durante os Festejos de São João e do Turco Jatuarana. Ele afirma que policiais militares, ainda não identificados, entraram no espaço religioso e recolheram tambores Batás, considerados instrumentos litúrgicos sagrados, sem apresentar mandado judicial ou justificativa legal.

Em publicação nas redes sociais, Sena Jr. denunciou a ação e classificou o episódio como racismo religioso e abuso de autoridade policial.

“Uma guarnição da Polícia Militar do Amazonas adentrou o Centro Religioso e se apropriou de instrumentos de culto, Tambores Batás, apreendendo-os sem apresentar mandado e sem dar qualquer explicação. A apreensão dos instrumentos litúrgicos sagrados se deu de forma truculenta e totalmente ao arrepio da Lei”, afirmou.

O caso foi registrado junto ao Ministério Público Federal (MPF) por envolver uma comunidade de povos tradicionais de matriz africana. A denúncia cita a Lei Caó (Lei nº 7.716/89), o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/10) e o artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade religiosa e o livre exercício dos cultos.

O sacerdote também registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil para tentar recuperar os instrumentos apreendidos e solicitar a apuração dos fatos.

Vídeos gravados por frequentadores durante a ação policial passaram a circular nas redes sociais e mostram o momento de tensão durante a retirada dos tambores.

Até a publicação desta matéria, a Polícia Militar do Amazonas não havia divulgado posicionamento oficial sobre a ocorrência. O espaço segue aberto para manifestação da corporação.