
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “inconstitucional e ilegal” a investigação conduzida pelo ministro André Mendonça sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em manifestação encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes afirmou que Mendonça teria determinado medidas de investigação contra um integrante da Corte por iniciativa própria, sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal (PF). Segundo ele, a apuração também teria sido motivada por uma suposta “vingança” de aliados de pessoas condenadas por tentativa de golpe de Estado.
A manifestação foi apresentada após um relatório da PF, solicitado por Mendonça, reunir mensagens e outros registros extraídos do celular de Vorcaro. O material começou a ser analisado pelo Plenário do STF nesta terça-feira (15).
Moraes também negou ter mantido conversas que indiquem oferta de consultoria jurídica, favorecimento ao banqueiro ou conhecimento antecipado de operações policiais. Segundo o ministro, parte das acusações estaria baseada em anotações feitas pelo próprio Vorcaro no celular.
O relatório da PF, porém, aponta 52 mensagens relacionadas a Moraes e Vorcaro, distribuídas por 13 dias. Entre os registros está uma mensagem enviada pelo empresário antes de ser preso, na qual questiona se deveria deixar o país.
Moraes argumentou que a própria prisão de Vorcaro enfraqueceria a hipótese de que ele tivesse sido avisado previamente. O banqueiro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro, enquanto se preparava para viajar ao exterior.
O caso gerou divergências dentro do STF e envolve também a PGR, a PF e a Advocacia-Geral da União. O Plenário deve voltar a analisar o assunto na próxima semana, quando está previsto o julgamento de um pedido de investigação relacionado a André Mendonça.






