quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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Brasileira pode ser condenada à m0rte após ser flagrada com cocaína escondida em xampus

Mundo – Uma brasileira de 36 anos pode ser condenada à prisão perpétua ou até à pena de morte após ser presa com aproximadamente 3,6 quilos de cocaína líquida escondidos em frascos de xampu e outros produtos de higiene pessoal, na Indonésia. A mulher foi detida no dia 6 de outubro, após desembarcar no Aeroporto Internacional Ngurah Rai, na ilha de Bali, e permanece sob custódia das autoridades locais.

Identificada pelas iniciais TCDS, a brasileira é natural de Cascavel, no oeste do Paraná. A droga foi encontrada durante uma fiscalização na bagagem da passageira. Segundo as autoridades indonésias, o entorpecente estava disfarçado em sete frascos de xampu e outros cosméticos, numa tentativa de dificultar sua identificação durante a inspeção.

A apreensão foi considerada uma das maiores de cocaína líquida registradas em Bali nos últimos anos.

Brasileira receberia cerca de R$ 250 mil

Durante o interrogatório, a mulher teria afirmado que recebeu instruções de outro brasileiro, identificado apenas pela letra “G”, para entregar a droga a uma pessoa na ilha asiática.

Pelo transporte, ela receberia US$ 50 mil, valor equivalente a aproximadamente R$ 250 mil.

A polícia investiga a origem da cocaína, a possível participação de outras pessoas no esquema e a identidade do destinatário da encomenda. Os investigadores também apuram se há outros envolvidos no transporte internacional de entorpecentes.

Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, a mulher confessou que transportava a droga e estaria colaborando com as autoridades durante a investigação.

Legislação prevê pena de morte

A Indonésia possui uma das legislações antidrogas mais rigorosas do mundo. Dependendo das circunstâncias e da gravidade do crime, pessoas condenadas por tráfico de entorpecentes podem receber penas que incluem prisão perpétua e pena de morte.

O risco de condenação à morte ganhou destaque porque a moratória que suspendia as execuções no país desde 2016 chegou ao fim em julho de 2026, sem definição, até a publicação das informações mais recentes, sobre sua renovação. Por isso, a possibilidade de aplicação da pena capital voltou ao centro das discussões sobre o caso.

Apesar da gravidade da situação, a brasileira ainda não foi condenada. O processo depende da conclusão das investigações e das etapas judiciais previstas na legislação local.

De acordo com o advogado Gustavo Paiva, que acompanha o caso no Brasil, um processo desse tipo pode levar de um ano a um ano e meio até uma decisão definitiva.

O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Jacarta, presta assistência consular à brasileira após solicitação da família.

Brasileiros já foram executados no país

O caso também relembra a situação de dois brasileiros condenados por tráfico de drogas e executados por fuzilamento na Indonésia em 2015.

Marco Archer Cardoso Moreira foi executado em janeiro daquele ano, após ser condenado por tentar entrar no país com aproximadamente 13 quilos de cocaína escondidos na estrutura de uma asa-delta desmontada.

Em abril de 2015, Rodrigo Muxfeldt Gularte também foi executado. Ele havia sido condenado por transportar cerca de seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe.

Mais recentemente, a brasileira Manuela Vitória de Araújo Farias, presa em Bali com cocaína, foi condenada a 11 anos de prisão em 2023, sem receber a pena de morte.

Outro brasileiro, Yuri Bezerra da Costa, foi condenado a 18 anos de prisão em fevereiro de 2026 por transportar cocaína para a Indonésia.

Os casos mostram a severidade das punições aplicadas no país asiático a crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas.