terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Início POLÍCIA Polícia Civil diz que família de Djidja Cardoso liderava seita que promovia...

Polícia Civil diz que família de Djidja Cardoso liderava seita que promovia uso de ketamina

A Polícia Civil do Amazonas informou nesta sexta-feira (31) que a família de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, liderava uma seita religiosa chamada “Pai, Mãe, Vida”. A organização prometia aos seguidores transcendência para outra dimensão e salvação em um plano superior.

Djidja Cardoso, de 32 anos, faleceu na última terça-feira (28) em sua residência no bairro Cidade Nova, em Manaus. A investigação sobre a seita e suas práticas criminosas começou há 40 dias, antes da morte de Djidja.

As autoridades descobriram que o grupo obtinha a droga ketamina em uma clínica veterinária sem receita ou controle, distribuindo-a entre os funcionários de uma rede de salões de beleza. Segundo o delegado Cícero Túlio, titular do 1° DIP, duas pessoas foram mantidas em cárcere privado, nuas e sem higiene por vários dias. Uma das vítimas, grávida, sofreu um aborto como resultado desses abusos.

Durante as investigações, foram identificados Ademar Farias Cardoso Neto, 29 anos, e Cleusimar Cardoso Rodrigues, 53 anos, como fundadores da seita. Eles são, respectivamente, irmão e mãe de Djidja Cardoso. Outros envolvidos são Verônica da Costa Seixas, 30 anos, Claudiele Santos da Silva, 33 anos, e Marlisson Vasconcelos Dantas, que está foragido. Esses indivíduos persuadiam funcionários e pessoas próximas a se associarem à seita, utilizando drogas veterinárias nos rituais.

Os líderes convenciam os seguidores de que o uso compulsivo de ketamina os permitiria transcender para outra dimensão e alcançar um plano superior. A ketamina, um anestésico, era central nos rituais.

Na operação realizada na quinta-feira (30), foram apreendidas centenas de seringas, produtos para acesso venoso, agulhas, ketamina, além de celulares, documentos e computadores.

O grupo enfrentará acusações de tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, colocar em risco a saúde ou vida de terceiros, falsificação, corrupção, adulteração de produtos terapêuticos e medicinais, aborto induzido sem consentimento da gestante, estupro de vulnerável, charlatanismo, curandeirismo, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal.

Morte da ex-sinhazinha

A morte de Djidja está sendo investigada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Inicialmente, suspeita-se que Djidja tenha sido vítima de overdose de ketamina durante um ritual da seita. A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de necropsia realizado pelo Instituto Médico Legal (IML). Djidja também fazia parte da seita e estava sob investigação.