quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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Em 2024, empresa “faz tudo” de Presidente Figueiredo pagou valor superfaturado no leite condensado da merenda da Prefeitura de Manaus

Em 2024, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Manaus, então comandada por Dulce Almeida — irmã e coordenadora de campanha do prefeito David Almeida (Avante) — contratou a empresa Comercial CJ-Comércio de Produtos Alimentícios LTDA, de Presidente Figueiredo, para fornecer biscoito Maria, macarrão parafuso e leite condensado para a merenda escolar da rede municipal, em um contrato que ultrapassou R$ 3,5 milhões.

Na época, foi constatado que o leite condensado Mococa, comprado pela Semed por R$ 8,87 a unidade, estava 128% acima do preço praticado no mercado local, onde o mesmo produto era vendido por cerca de R$ 3,89 no varejo, o que indicava possível prejuízo aos cofres públicos.

O contrato, publicado no Diário Oficial de 23 de agosto de 2024 e assinado pelo secretário de educação em exercício Lourival Litaiff — que assumiu provisoriamente a pasta enquanto Dulce Almeida estava afastada para coordenar a campanha eleitoral — não detalhava a quantidade dos itens adquiridos, apenas o valor total da compra.

Consultas ao portal de compras da Prefeitura mostraram que, no pregão eletrônico 031/2024, a empresa apresentou preços superiores aos de várias concorrentes. No caso do leite condensado, a proposta da CJ Comercial era quase o dobro da oferta mais barata, feita pela S C DA AMAZONIA LTDA, que cotou o produto da marca Italac a R$ 4,50.

A empresa, fundada em 2018, apresentava atividades diversificadas — que iam desde coleta de lixo até criação de gado e reparação de computadores —, o que levantou dúvidas quanto à sua capacidade técnica para fornecimento alimentar em grande escala.

Na época, a Prefeitura de Manaus e a Semed não se manifestaram publicamente para justificar a escolha da empresa, apesar das evidências de preços acima do mercado.

Este episódio fez parte de um histórico preocupante de suspeitas de superfaturamento durante a gestão de David Almeida, que também incluía indícios de sobrepreço de mais de R$ 4,3 milhões em compras para o programa Leite do Meu Filho.

Desde então, denúncias e investigações sobre a gestão dos recursos públicos municipais continuam a ser acompanhadas de perto pela sociedade e órgãos de controle, ressaltando a necessidade de maior transparência e fiscalização na administração pública de Manaus.