
A cantora Ludmilla entrou com uma ação judicial contra o vereador Coronel Rosses (PL), na qual pede indenização de R$ 70 mil por danos morais. O processo foi motivado por declarações feitas pelo parlamentar na tribuna da Câmara Municipal de Manaus sobre a apresentação da artista no evento Sou Manaus Passo a Paço 2025.
Durante seu discurso, Rosses afirmou que o show teria conteúdo impróprio para crianças e adolescentes, alegando que a cantora foi à capital amazonense para “aliciar menores”. Segundo ele, a apresentação desrespeitou valores familiares e contribuiu para a banalização da sexualidade em um evento financiado com recursos públicos.
O vereador sustenta que espetáculos desse tipo, pagos com dinheiro do contribuinte, promovem o que classifica como “degradação da infância” e “entretenimento inadequado”. Para reforçar sua posição, ele ingressou com uma ação popular, na qual transcreve trechos da performance e aponta o uso de linguagem considerada ofensiva para um evento aberto ao público.
A argumentação do parlamentar tem como base a Lei Municipal nº 593/2025, que proíbe o uso de recursos públicos para contratar artistas cujas apresentações incentivem a sexualização ou causem constrangimento. Rosses afirma que, apesar de a lei estar em vigor, a Prefeitura de Manaus ainda não a regulamentou.
Ele também critica o aumento dos gastos com o evento, que, segundo ele, saltaram de cerca de R$ 2 milhões para mais de R$ 25 milhões em quatro anos, além da falta de transparência sobre os valores pagos aos artistas.
“Sou favorável à realização de eventos culturais, mas não com conteúdo vulgar. A população não sabe quanto foi pago, e o Portal da Transparência não mostra essas informações. Isso é grave”, declarou.
Policial militar de carreira, Rosses afirma que sua atuação é fiscalizatória e que irá apresentar defesa técnica no processo movido pela cantora. Segundo ele, o foco é garantir que a população tenha acesso às informações sobre o uso do dinheiro público.
Na ação popular, o vereador pede que a prefeitura e a Manauscult suspendam pagamentos pendentes e divulguem todos os contratos e notas de empenho do festival desde 2022. Ele alega que a falta de dados impede o controle social sobre os gastos.
O Sou Manaus Passo a Paço 2025 ocorreu entre 5 e 7 de setembro, no Centro Histórico, e teve Ludmilla como uma das principais atrações. A prefeitura estima público de cerca de 450 mil pessoas. Até o momento, os cachês pagos aos artistas não foram divulgados lembrando, o que tem gerado questionamentos sobre a prioridade dos investimentos em eventos em relação a áreas como saúde e educação.
Veja o processo:







